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Propaganda nazi nas escolas

A extrema-direita está a tentar recrutar militantes nos liceus. As forças policiais já alertaram o Governo.

Segundo um documento da PSP a que o EXPRESSO teve acesso, as autoridades policiais entendem que, «embora o PNR seja um partido legalizado, existe um risco efectivo de transmissão aos jovens estudantes de ideias de cariz xenófobo que potenciam o uso da violência indiscriminada». Esta análise oficial chama a atenção para o facto de que «alguns dos principais líderes do movimento ‘skinhead’ em Portugal têm um passado criminal perigoso e tentam incutir nos mais jovens um espírito criminoso, de racismo e xenofobia».

Na terça-feira, a GNR entregou um relatório sobre este assunto, datado da véspera, aos responsáveis dos Ministérios da Educação (ME) e da Administração Interna (MAI), que se reuniram neste último organismo, no âmbito do programa «Escola Segura».

Ameaça à segurança interna

De acordo com uma fonte oficial da PSP - organização que, já no final do ano passado, entregara ao ministro António Costa dois estudos sobre as acções do movimento dos cabeças-rapadas nas escolas e junto das claques de futebol -, estão «identificados e sob vigilância apertada» cerca de 70 «recrutadores» em todo o país.

Um membro da direcção nacional da JN e responsável pelo núcleo de Lisboa, confirmou estas iniciativas de «sensibilização» junto das escolas secundárias, mas garante que o número de recrutadores «é muito maior» do que o avançado pela polícia. O dirigente da JN, Emanuel Guerreiro, explicou que o principal alvo destas acções têm sido «as escolas de Lisboa e da periferia, onde os jovens são mais fustigados pela proximidade dos bairros sociais problemáticos e recebem melhor a nossa mensagem». Segundo ainda este líder nacionalista, desde o início da campanha, cerca de uma centena de estudantes inscreveu-se na JN. Sobre as «preocupações» das forças de segurança, Emanuel Guerreiro refuta «qualquer conteúdo criminal» nas mensagens transmitidas.

No entanto, no documento que entregou aos responsáveis do MAI e da Educação, a GNR sublinha que a «proliferação destes movimentos poderá vir a introduzir problemas graves na segurança interna» e apela à necessidade de «uma estratégia de combate, sensibilização e inactivação dos mesmos».

Cartazes nas escolas

A GNR recorda que a propaganda nas escolas secundárias foi definida como uma das prioridades da JN, organização criada há apenas um ano. «Trocar o soldado de rua pelo soldado político», é a palavra de ordem dos jovens radicais portugueses. A GNR nota que a «opção pelo recrutamento nas escolas baseou-se na percepção de que grande parte (49%) dos frequentadores do Fórum Nacional - o principal sítio do ideário nacional-socialista e fascista em Portugal - são menores de 21 anos».

Só este ano, a GNR destaca cinco acções «com alguma visibilidade», como colagem de cartazes ou colocação de faixas, que identificou e fotografou junto de várias escolas secundárias de Lisboa, Porto, Guarda, Escola Superior de Educação e Escola Superior de Tecnologia de Castelo Branco, e em estabelecimentos de ensino de Beja e do Barreiro.

Os investigadores da GNR, informaram ainda António Costa e Maria de Lurdes Rodrigues, que «têm também sido identificados nestas acções de propaganda, líderes da Portugal Hammerskin (PHS)», a facção mais violenta dos cabeças-rapadas, liderada por Mário Machado, alvo de vários processos-crime. A GNR diz que a PHS está a «utilizar e instrumentalizar os novos recrutas para estes levarem a efeito as suas acções violentas e delituosas, fazendo-lhes crer que assim estarão a conseguir créditos para serem admitidos na organização. Sendo certo que sobre os dirigentes da PHS incorrem fundadas suspeitas de ligação a actividades relacionadas com o crime organizado». A PSP, por seu turno, encontrou sinais da propaganda de extrema-direita em escolas secundárias de, pelo menos 19 concelhos do país e difundiu orientações para que «o movimento fosse acompanhado de forma discreta» e informasse «regularmente» a Direcção Nacional.