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Promenade Amália Rodrigues em jardim abandonado de Paris

"Isto é poeira para os olhos, o jardim está abandonado há anos", dizia uma residente do bairro popular de Paris onde foi ontem inaugurado com pompa o "passeio" com o nome da fadista.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)



Os jardineiros da Câmara tinham acabado de embelezar o mais possível o local, assentando à pressa relva nova, quando chegaram, às 11h, para a inauguração oficial, Bertrand Delanoë e António Costa, respectivamente Presidentes dos Municípios de Paris e de Lisboa.



Os pequenos quadrados de relva pré-fabricada, semelhantes aos utilizados nos campos de futebol, tinham sido apenas botados sem grande rigor em cima da terra batida e levantavam-se facilmente com o bico dos sapatos. Este "jardim aberto", como os franceses chamam aos espaços verdes sem vedação, tem agora uma placa em homenagem a Amália Rodrigues, que foi uma grande estrela em Paris e onde os mais velhos parisienses ainda a recordam com saudade.





"Não tenho nada contra que ponham aqui o nome dela, mas isto é poeira para os olhos porque o jardim está abandonado há anos", dizia uma parisiense residente neste desfavorecido quarteirão do bairro número 19, no nordeste da capital francesa.

Local perdido

"Se Amália servir para que eles prestem mais atenção ao jardim, é bom... mas duvido", acrescentou a rezingona, que passeava, na agora chamada Promenade, com o cão no momento da inauguração.



O jardim encontra-se numa zona um pouco perdida de Paris - entre duas barulhentas avenidas de grande circulação automóvel e a dois passos da auto-estrada chamada "Boulevard Periférico", que envolve a cidade. Do outro lado do "Periférico", encontra-se uma das periferias mais violentas e mais desfavorecidas de Paris - o departamento "93".



A Promenade tem, no entanto, vista para um edifício frequentado pelos católicos portugueses - para o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, do outro lado da avenida do Pré-saint-Gervais, onde se celebram missas em português. E também é vizinha de um outro jardim, na "Boulevard d'Algérie", muito mais bem arranjado e mais vistoso, protegido por altas vedações.



No fim da inauguração - "Amália representa a alma portuguesa", disse Delanoë - os convidados, a larga maioria portugueses, seguiram rapidamente para a Câmara de Paris, no centro histórico da cidade, onde estavam programados uma recepção, palestras e um almoço.



Mas a comitiva esqueceu-se no local de Mísia, que tinha ficado a conversar com este repórter junto à placa que homenageia Amália. A fadista, convidada especial para as cerimónias, chegou bastante atrasada à Câmara - tentou, durante quase uma hora, apanhar um táxi, mas não havia. Seguiu de metropolitano. "De facto o local é um pouco perdido, mas é um jardim e Amália gostava de espaços verdes", comentou para o Expresso.