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Atualidade / Arquivo

Prisão para 98 oficiais da era Pinochet

A justiça chilena ordenou a prisão de 98 ex-agentes da polícia secreta que actuaram durante o regime militar de Augusto Pinochet. Está em causa o crime de violação de direitos humanos.

Maria Luiza Rolim

Trinta e três anos depois do desaparecimento de 119 pessoas no Chile, o juiz Victor Montiglio determinou a prisão de 98 ex-agentes da polícia secreta de Pinochet, acusados de as terem eliminado. Muitos dos acusados já faleceram.

O despacho foi assinado ontem, no âmbito de uma investigação sobre abusos de direitos humanos cometidos durante a chamada Operação Colombo, que resultou no desaparecimento de 119 opositores do regime chileno instaurado em 1973.

42 corpos nunca encontrados

Na época, o Governo chileno alegou que os dissidentes teriam morrido fora do país, em batalhas entre facções de esquerda. Porém, existem documentos que indicam que em 1975 a polícia secreta de Pinochet capturou e matou os 119, dos quais 42 corpos nunca foram encontrados.

O juiz entende que as 119 vítimas foram sequestradas, crime pelo qual o próprio Pinochet foi indiciado em Dezembro de 2006.

Recorde-se que Pinochet morreu sem nunca ter enfrentado um julgamento pelos crimes cometidos durante o regime, em que pelo menos 3.000 pessoas morreram ou desapareceram e 300.000 fugiram para o exílio.

Alguns dos acusados trabalharam para o 'Dina', em cujas instalações centenas de pessoas foram torturadas e mortas. Manuel Contreras, ex-chefe desse serviço de inteligência chileno, já se encontra detido por outros crimes.

Em declarações à agência Associated Press, o advogado de defesa do coronel Pedro Espinoza - um dos principais acusados - disse que a acusação de sequestro faz parte da "ficção jurídica".