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Presidente promulga casamento gay

Cavaco Silva promulga casamento gay evocando "ética da responsabilidade". (Vídeos SIC no fim do texto com o discurso de Cavaco na íntegra e entrevista ao presidente da ILGA)

Luísa Meireles (www.expresso.pt)

Uma bofetada de luva branca a quem não quis "alcançar um consenso alargado sobre matéria de tão grande melindre" e uma demonstração de "ética de responsabilidade" foram dois dos argumentos usados pelo Presidente da Republica, ao anunciar hoje em Belém, numa declaração publica, a promulgação do diploma que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Pela segunda vez desde o início do seu mandato, Cavaco Silva convocou os jornalistas para comunicar a sua posição relativamente a um diploma aprovado na Assembleia da República: frontalmente contra uma posição que designa como casamento uma situação diferente. A outra foi quando promulgou o Estatuto dos Açores, em Julho de 2008.

Depois de recorrer aos exemplos de vários países que encontraram soluções que, segundo Cavaco Silva, são menos "susceptíveis de criar conflitualidade social" ou que podem "ser aceites pelo maior número de cidadãos, fosse qual fosse a sua visão do mundo", o Presidente afirma que promulga o diploma tendo em vista os "efeitos práticos": "Tudo indica que as forças politicas que o aprovaram voltariam a aprová-lo".

"Entendo que não devo contribuir para arrastar inutilmente este debate, o que acentuaria as divisões dos portugueses e desviaria a atenção dos agentes políticos da resolução dos problemas que afectam gravemente a vida das pessoas", afirma o Presidente, recordando os desempregados, o agravamento da pobreza e a situação de elevado endividamento externo do país.

Neste contexto, evoca ainda a sua mensagem de Ano Novo, na qual alertou para o risco de Portugal "caminhar para uma situação explosiva" e disse que "não é tempo de inventar desculpas para adiar a resolução dos problemas concretos dos portugueses".

"Há momentos na vida de um país em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um", concluiu o Presidente.

A lei do casamento homossexual tinha sido aprovada em Fevereiro no Parlamento com os votos favoráveis de toda a esquerda. Depois disso, foi enviada para o Tribunal Constitucional, que também não a chumbou.

Consulte aqui o discurso na íntegra

Entrevista ao presidente da ILGA, Paulo Côrte-Real: