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Presidente da PT quer governos de maioria "obrigatórios"

Henrique Granadeiro defende uma revisão da Constituição porque o atual sistema político é um "bloqueio" à capacidade de desenvolvimento económico nacional.

O presidente da PT, Henrique Granadeiro, defendeu hoje uma revisão da Constituição para tornar "obrigatórios" governos de maioria, porque o atual sistema político é um "bloqueio" à capacidade de desenvolvimento económico nacional.

"Necessitamos de rever o nosso sistema político e a nossa Constituição", disse Henrique Granadeiro, referindo que Portugal vive uma situação "grave", porque tem "um sistema político que não é capaz de organizar a atividade económica, que não faz nem deixa fazer" e "é um bloqueio" da capacidade de desenvolvimento económico.

Henrique Granadeiro falava em Beja na conferência "Portugal e o Alentejo nas encruzilhadas do futuro", integrada no 25.º conselho aberto da Caixa Geral de Depósitos.

Instabilidade política e crescimento económico de mãos dadas

Segundo o presidente da PT, reportando-se a dados da taxa de crescimento média anual do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal durante os primeiros 16 governos após o 25 de Abril, "efetivamente há uma correlação direta entre a instabilidade política e o crescimento económico".

"Ou caminhamos para um sistema em que é obrigatório que tenhamos governos de maioria ou continuaremos neste caminho de instabilidade, do curto prazo e de governos que não podem ser responsabilizados durante muito tempo pela sua atividade e que não têm tempo sequer de lançar medidas estruturais e de fundo", alertou.

Assim, previu, "continuaremos a caminhar alegremente para uma situação de país periférico de um espaço integrado do ponto de vista económico, social e, um dia, político".

"Demos vários passos atrás"

A "grande evidência" da atual crise "é que demos vários passos atrás, e muito grandes, no sentido da integração europeia", porque "parece" que "não foi possível resolver os problemas com as instituições europeias", disse Henrique Granadeiro.

Do ponto de vista da integração social, houve "um enorme recuo na Europa com esta crise", lamentou, referindo que "as instituições europeias não foram capazes de resolver a crise, nem de dar uma resposta integrada à crise".

No debate após a sua intervenção, Henrique Granadeiro, questionado sobre a sua opinião em relação às grandes obras públicas previstas para Portugal, mostrou-se "favorável" à construção do novo aeroporto de Lisboa e do TGV.

"Não há recuperação sem investimento"

A "natureza dos trabalhos" dos dois projetos, frisou, vai incidir "em grande medida" sobre "atividades económicas que estão em Portugal, são de portugueses e podem ter ali um novo impulso para o seu desenvolvimento".

O novo aeroporto e o TGV, que, nos primeiros anos, vão ter um "grande impacto" e ser "altamente tributários do mercado interno", podem ser "um contributo para a recuperação do país", defendeu.

"Não há recuperação sem investimento", frisou, questionando: "O que é que se fez com a dívida, que se veio acumulando?"

"Se olharmos para trás, além das auto-estradas, praticamente não se fez nada", disse, rematando: "Não é seguro que, se pararmos esses projetos, tenhamos, de facto, o caminho da salvação assegurado."