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Prémio Camões atribuído ao poeta Arménio Vieira

Arménio Vieira é o primeiro cabo-verdiano a receber o Prémio Camões, o galardão que todos os anos distingue escritores dos países lusófonos. (Conheça a lista de premiados desde 1989)

O Prémio Camões 2009 foi atribuído ao poeta Arménio Vieira, que se torna no primeiro cabo-verdiano a receber o galardão.

O júri, em que Portugal se fez representar por José Carlos Seabra Pereira, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e Helena Buescu, da Universidade de Lisboa, reuniu-se hoje num hotel do Rio de Janeiro para anunciar a sua deliberação.

Arménio Vieira Nasceu na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 24 de Janeiro de 1941. Além de escritor, é jornalista, com colaborações em publicações como o Boletim de Cabo Verde, a revista Vértice, de Coimbra, Raízes, Ponto & Vírgula, Fragmentos e Sopinha de Alfabeto. Foi ainda redactor no jornal "Voz di Povo".

"Estava à espera mas pensei que fosse ainda cedo"

O vencedor do Prémio Camões/2009, o escritor e poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, disse hoje à Agência Lusa que, a título pessoal, já esperava "ganhar" mas sublinhou que era ainda cedo para um autor de Cabo Verde ser distinguido.

"A título pessoal, eu esperava o prémio. Mas por causa de ser Cabo Verde, admiti que fosse ainda um bocado cedo. É pequeno em relação à imensidão do Brasil, que tem centenas de escritores óptimos. E Portugal também.

"É uma honra pessoal. Eu é que sou o autor dos livros que ganharam o prémio, porque é atribuído à obra e não à pessoa. Acho que é uma honra para Cabo Verde. É histórico, Cabo Verde nunca tinha ganho. Desta vez lembraram-se do nosso pequeno país", acrescentou Arménio Vieira.

O galardoado manifestou a esperança de que, a partir de agora, a sua obra venha a ser estudada em Cabo Verde e no estrangeiro. "Espero bem que sim, (a sua obra) será mais estudada. Mas ainda não se estuda. Às vezes as pessoas compram livros mas não os lêem", referiu.

"Foi um prémio merecido"

O embaixador de Cabo Verde no Brasil, Daniel Pereira, manifestou grande satisfação com a atribuição do Prémio Camões 2009 ao seu compatriota e poeta Arménio Vieira.

"Sinto-me muito feliz. Foi um prémio merecido, ele é um grande poeta. Estávamos à espera desse prémio há muito tempo", disse o embaixador à agência Lusa, citando outros grandes nomes cabo-verdianos, como os escritores Germano de Almeida e Manuel Lopes. "Pode vir tarde mas sabe bem", completou.

Na avaliação de Pereira, a atribuição do galardão a Arménio Vieira enaltece toda a poesia cabo-verdiana e é um reconhecimento à qualidade da literatura do Arquipélago.

O embaixador admitiu que a concessão do prémio a Arménio Vieira pode ajudar na difusão da literatura de Cabo Verde no Brasil, ainda pouco conhecida.

"Este prémio pode ser o arrebentar do estopim para que outros autores de Cabo Verde sejam divulgados no Brasil", assinalou.

Segundo Daniel Pereira, já existe um grande conhecimento da literatura cabo-verdiana na área académica, principalmente em São Paulo, mas é preciso ainda atingir o grande público. "Temos muito trabalho de terreno por fazer ainda", concluiu.

"Inesperado mas bem entregue"

O escritor cabo-verdiano Germano de Almeida congratulou-se hoje com a atribuição do Prémio Camões/2009 ao seu compatriota e poeta Arménio Vieira, sublinhando que a distinção é "inesperada" mas "bem entregue".

Em declarações à Agência Lusa, Germano de Almeida considerou que Arménio Vieira é "um grande poeta" e que a opção do júri do prémio por um autor de Cabo Verde, "apesar de vir tarde", é o reconhecimento "não só da obra do vencedor como também de todo o Arquipélago".

"O prémio é inesperado mas está bem entregue. Arménio Vieira é um grande poeta e o que interessa agora, para todos nós, escritores e poetas, é que Cabo Verde já tem um galardoado com o Prémio Camões. Era mais do que altura", afirmou Germano de Almeida, que era um dos nomes apontados como possível vencedor.

Arménio Vieira, o primeiro cabo-verdiano a receber o Prémio Camões, nasceu na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 24 de Janeiro de 1941.

Além de escritor, é jornalista, com colaborações em publicações como o Boletim de Cabo Verde, a revista Vértice, de Coimbra, Raízes, Ponto & Vírgula, Fragmentos e Sopinha de Alfabeto, tendo ainda sido redactor no jornal Voz di Povo.

O Prémio Camões, criado em 1988 pelos governos português e brasileiro, distingue todos os anos escritores dos países lusófonos.

Arménio Vieira "engrandece a Língua Portuguesa "

A poesia e a escrita do escritor cabo-verdiano Arménio Vieira "engrandece a Língua Portuguesa", afirmou hoje à Agência Lusa o ministro da Cultura de Cabo Verde, ao comentar a atribuição do Prémio Camões.

"É um escritor/poeta de ruptura, que saiu da tradicional ladainha da terra de Cabo Verde e abriu-se ao mundo. Arménio Vieira faz uma literatura de dissidência saudável. Rompeu com a tradição e abriu-se ao mundo. Aliás, o mundo é pequeno para ele", afirmou Manuel Veiga, que considera "O Eleito do Sol" a melhor obra do autor.

Sobre o facto de, pela primeira vez, Cabo Verde ter sido distinguido com o Prémio Camões, Manuel Veiga considerou que "já era mais que tempo", lamentando, porém, que Manuel Lopes, um dos maiores autores cabo-verdiano, já falecido, nunca tenha sido galardoado com um prémio "mais que merecido".

"Mas é uma homenagem a toda a literatura de Cabo Verde. Desde os ®claridosos¯ até aos jovens autores. Cabo Verde já merecia e Arménio Vieira também", referiu, lembrando que o prémio "conforta" todas os escritores e poetas do Arquipélago.

"É um grande poeta cabo-verdiano"

O ministro da Cultura, Pinto Ribeiro, reagiu hoje com "grande contentamento" à atribuição do Prémio Camões ao cabo-verdiano Arménio Vieira, afirmando que reforça a ideia da língua portuguesa como "universal".

"É um grande poeta cabo-verdiano", disse Pinto Ribeiro à Agência Lusa, acrescentando que a atribuição do prémio "reforça a noção de que este é um prémio da língua portuguesa".

"E a língua portuguesa é universal, pelos muitos, nomeadamente os poetas, que exprimem através dela as coisas mais puras e mais profundas", disse também.

O Prémio Camões, criado em 1988 pelos governos português e brasileiro, distingue todos os anos escritores dos países lusófonos. Foi atribuído pela primeira vez em 1989 a Miguel Torga.

Arménio Vieira é o vigésimo primeiro galardoado com o Prémio Camões, no valor de cem mil euros, que já distibuiu nomes como José Saramago, Pepetela ou Agustina Bessa-Luís.

Em anos anteriores, o Prémio Camões, considerado o mais importante galardão literário da língua portuguesa, distinguiu os portugueses Vergílio Ferreira (1992), José Saramago (1995), Eduardo Lourenço (1996), Sophia de Mello Breyner Andresen (1999), Eugénio de Andrade (2001), Maria Velha da Costa (2002), Agustina Bessa-Luís (2004) e António Lobo Antunes (2007).

Quanto a autores brasileiros, receberam-no João Cabral de Mello Neto (1990), Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), António Cândido de Mello e Sousa (1998), Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca (2003), Lygia Fagundes Telles e João Ubaldo Ribeiro (2008).

De Angola, foram galardoados Pepetela, em 1997, e Luandino Veira, em 2006. O moçambicano José Craveirinha recebeu o Prémio Camões em 1991.