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Praga de pedofilia nas escolas

O fenómeno do assédio de professores a alunos é uma praga nos Estados Unidos. Em Portugal, todos os anos são suspensos docentes por este crime.

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Entre 2001 e 2005, mais de 2500 professores norte-americanos foram punidos pelo crime de assédio sexual, revela a Associated Press (AP). O fenómeno já é considerado uma "praga" nas escolas dos EUA.

A reportagem da AP revela que acontecem, em média, três casos diários de assédio em cada estabelecimento de ensino do país. Ou seja, 4,5 milhões de alunos foram objecto de abuso sexual por um professor ou funcionário de uma escola, nos últimos anos. Mas o número poderá ser maior, já que apenas um décimo das vítimas apresenta queixa sobre os agressores.

Em relação aos 2570 educadores castigados por este tipo de crime, estima-se que 1800 das vítimas tenham sido estudantes. E que nove em cada dez abusadores sejam homens. "Em cada escola do país há pelo menos um abusador. Pelo menos um", enfatiza Mary Jo McGrath, advogada que passou 30 anos a investigar casos de má conduta sexual nas escolas.

Embora a sociedade americana esteja mais alerta para o problema, há muitos pais que negam o problema, recusando-se a acreditar que um professor possa também ser um predador sexual. E não faltam casos como o de uma rapariga do Ohio, que se queixou do professor e acabou por ser expulsa do liceu.

Em Portugal não há estatísticas sobre o fenómeno. "O nosso país não será muito diferente dos outros. Mas é preciso lembrar, que por exemplo, há muito mais professores do sexo masculino nos EUA do que em Portugal", sentencia Ana Vasconcelos. A pedopsiquiátra já recebeu jovens pacientes que se queixavam de assédio de professores de educação física.

Um dos últimos casos mais mediáticos deu-se em Junho de 2006. Um professor da Escola Gonçalves Carneiro, em Chaves, foi acusado de "meter a mão por dentro da camisola" de alunas do 6.º ano. Como retaliação foi agredido pelos pais de duas alunas no parque de estacionamento da escola. A revelação originou um processo de averiguação por parte da Escola e da Direcção Regional de Educação do Norte. Um ano antes, em Dezembro de 2005, um docente foi detido pela Polícia Judiciária por suspeita de molestar sexualmente uma aluna menor e tirar fotografias impróprias às estudantes. O professor foi suspenso pela DREN.

Curioso é um estudo sobre assédio sexual na escola, de alunos da Escola Secundária Soares Basto, em Oliveira de Azemeis, do ano lectivo 2006/2007. Dos 138 inquiridos, cinco responderam afirmativamente. Desses cinco, três declararam ter sido assediados por professores. Nenhum terá apresentado queixa.

1) Os pais devem falar com os filhos sobre o tema do assédio sexual, de modo genérico, adaptando o discurso à idade. Nunca devem personalizar o mal nos professores;

2) Os pais, como primeiros mestres dos filhos, devem adoptar alguma cumplicidade com eles sobre assuntos relacionados com a escola. Devem compreender o que se passa na sala de aulas e nos recreios e não reprimir o que dizem os filhos sobre o assunto;

3) Os pais não devem ter medo de cortar o acesso a sites mais perversos da Internet. Até aos 8 anos, as crianças não têm consciência moral para perceber o que vêem e muitas vezes tentam copiar comportamentos;