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Atualidade / Arquivo

Praga afecta palmeiras no Algarve

O insecto foi detectado pela primeira vez na freguesia de Guia, Albufeira, no final de Agosto.

Cristina Bernardo Silva

Uma praga de escaravelhos do grupo dos gorgulhos está, desde o Verão, a afectar palmeiras no Algarve. Segundo fonte do Ministério da Agricultura, o insecto foi encontrado pela primeira vez na Freguesia de Guia, Albufeira, no passado mês de Agosto. Já em finais de Setembro, a Direcção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) do Algarve voltou a detectar a presença de Rynchophorus Ferrugineus (nome científico do insecto) em palmeiras no concelho de Albufeira, com dois focos, mas também no de Portimão, com três.

Originário do sudeste asiático, o insecto ataca mortalmente várias espécies de palmeiras, tendo uma preferência especial pela Palmeira das Canárias, muito comum em Portugal e Espanha. Detectada na zona de Alicante em 1995, a praga propagou-se no sul do país vizinho tendo atingido milhares de árvores em poucos anos, com elevados prejuízos - só de 2002 a 2006 o combate à praga custou cerca de 16 milhões de euros.

A acção do escaravelho, na base das folhas e interior do caule, faz com que a planta seque totalmente (em dois ou três meses) sem razão aparente, já que é difícil a identificar a infestação antes de uma fase avançada. Depois da morte da palmeira, o insecto desloca-se para uma outra nas proximidades, que detecta através do odor.

O insecto ataca preferencialmente a Palmeira das Canárias

O insecto ataca preferencialmente a Palmeira das Canárias

Segundo José Manuel Grosso-Silva, especialista em insectos do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio), da Universidade do Porto, esta espécie "é maior do que a generalidade das espécies de gorgulhos presentes em Portugal" e pode ter sido introduzido no nosso país acidentalmente, através do comércio de plantas, ou pode tratar-se de uma progressão a partir de Espanha. O combate com químicos não é totalmente eficaz, ressalva, razão pela qual é tão difícil acabar com a praga.

No últimos anos, tem-se registado em Portugal uma intensa importação de palmeiras, a maioria das quais oriundas de Espanha, Itália, Egipto e alguns países da América Latina.

Preocupada com esta praga está também a Comissão Europeia, que publicou em Maio deste ano medidas de emergência contra a sua propagação e introdução noutros Estados-membros, entre as quais a obrigatoriedade de quarentena no país de origem (se for um país terceiro) durante um ano antes da importação, e de mais um ano no Estado receptor, num local de produção.

Mauro Aguiar, técnico de uma empresa de comercialização de plantas especializada no transplante e recuperação de palmeiras de grande porte, em Portimão, garante que tem visto várias palmeiras afectadas na região onde trabalha, assim como em Albufeira. "Também ouvi falar da presença do insecto na zona de Lagos", afirma.

A DRAP do Algarve não conseguiu evitar a chegada da praga, apesar de contactos, em Abril, com a congénere da Andaluzia, para adoptar medidas concertadas que impedissem que o insecto atingisse Portugal. De 22 a 26 deste mês, está prevista a participação de técnicos da DRAP do Algarve no V Congresso Nacional de Entomologia Aplicada, em Cartagena, Espanha, onde o tema será objecto uma sessão especializada. Além disso, vão participar numa visita técnica à região de Málaga.