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Portugueses pessimistas

Os portugueses continuam descontentes e não acreditam que a sua vida melhore no próximo ano. Quem o diz é o «Eurobarómetro da Primavera», o maior inquérito de opinião pública europeu.

O DESEMPREGO, a situação económica e inflação são as principais preocupações dos portugueses, que continuam a ser os mais pessimistas da UE-25, revela o Eurobarómetro divulgado hoje pela Comissão Europeia.

A população do país também se mostra inquieta com a insegurança e o «sistema de saúde». Cerca de 60% dos cidadãos acha que os aspectos económicos e o desemprego vão piorar nos próximos 12 meses.

Apesar de os portugueses serem os mais insatisfeitos «face à sua vida» - tendência já revelada em inquéritos anteriores -, a taxa de pessimismo diminuiu. De acordo com o «Eurobarómetro da Primavera», «as prioridades nacionais aproximam-se mais das dos cidadãos dos dez novos Estados-membros do que das da UE-15», estando os portugueses mais preocupados com o desemprego do que com a «imigração» e o «terrorismo».

A primeira preocupação dos europeus continua a ser, sobretudo, o desemprego (49%), o crime (24%) e a situação económica (23%). Já o sistema de saúde preocupa apenas 18% dos cidadãos da UE.

Comparado com o inquérito do Outono de 2005, «o apoio à adesão à UE cresceu cinco pontos (55% contra 50%), a imagem da UE, seis pontos (50% contra 44%) e a percepção dos benefícios decorrentes da adesão, dois pontos (54% contra 52%)».

Pela primeira vez em dez anos, o número de portugueses que acreditam que pertencer à UE é positivo não chega aos 50 por cento, situando-se abaixo da média europeia (55%). Portugal está entre os países que identificam a União com o aumento do desemprego (29%), um valor apenas superado pela Áustria (43%), Grécia (35%) e Alemanha (34%).

Sobre a sua actual situação económica e financeira (que consideram muito abaixo da dos restantes europeus), a maioria dos portugueses entende que a UE teve um papel negativo.

Sessenta por cento dos portugueses desejam que a integração do país na UE venha a melhorar, no futuro, a sua vida quotidiana, mas apenas 42%acreditam que isso venha a acontecer. Para os cidadãos nacionais, a acção futura da UE deverá ser «contra o desemprego, a pobreza e a exclusão social», já que «os principais receios gerados pela perspectiva de evolução futura da União Europeia são de natureza económica - em específico, a transferência de empregos para outros países, o aumento das dificuldades dos agricultores e a crise económica».

Os cidadãos da UE «tendem a confiar mais nas instituições europeias do que nas nacionais» e, nesta matéria, Portugal encontra-se acima da média europeia, revelando altos índices de confiança no Parlamento Europeu (59%), Comissão Europeia (55%) e Banco Central Europeu (54%).

Sobre as questões internas da União, os portugueses apoiam mais abertamente acções tais como a «Constituição, a criação do cargo de Ministro europeu dos Negócios Estrangeiros e a criação de uma política comum de imigração» do que «um aprofundamento a duas velocidades e um alargamento a novos países».

O estudo revela, ainda, que «Portugal está entre os Estados-membros cujos cidadãos menos sentem saber sobre o funcionamento da UE», juntamente com a Espanha e a Hungria.