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Atualidade / Arquivo

Portugal vai privilegiar relações com a Rússia

A partir do segundo semestre de 2007 Lisboa vai assumir a presidência da União Europeia. Uma das prioridades será incentivar o diálogo com Moscovo.

Um dos objectivos da próxima presidência portuguesa da União Europeia (UE), a decorrer no segundo semestre deste ano, é prosseguir o diálogo com a Rússia e transformá-lo numa relação estratégica, quem o garantiu foi Manuel Marcelo Curto, embaixador português em Moscovo.

“O nosso diálogo estratégico, amparando uma inteligente e boa definição de interesses, poderá e deverá tornar-se num dos elementos fortes da paz e da estabilidade globais. Pertencemos à mesma família, ainda que possamos não ser membros do mesmo clube”, referiu o diplomata português, aproveitando para sublinhar que a presidência lusa poderá “dar um forte impulso às relações entre Portugal e a Rússia.”

Um desses impulsos pode vir a ser dado já a 18 de Maio na cidade russa de Samara que vai receber a Cimeira da UE/Rússia. Nesse encontro serão iniciadas as negociações para um novo acordo de parceria com a Rússia. Manuel Curto adverte que se tudo correr bem, "a presidência portuguesa terá a responsabilidade de dar seguimento a essas negociações".

A ideia “é ter uma base para o futuro dessa relação estratégica. Trata-se de uma grande responsabilidade para nós”, sublinhou o diplomata português. Em relação à possibilidade de vir a ser conseguido um acordo sobre a Carta da Energia – entre a Rússia fornecedora de hidrocarbonetos e a UE consumidora – durante a presidência portuguesa, Manuel Curto considera que se “deve conseguir uma solução racional, abrangente e transparente” e sublinhou que a solução “tem que ter em conta os interesses dos países fornecedores, de trânsito e consumidores”.

Museu Hermitage em Lisboa

Durante o próximo mês de Dezembro e ainda durante a presidência portuguesa da UE, os Russos vão eleger um novo Parlamento, o que já suscitou as habituais suspeitas de falta de transparência em tudo quanto é escrutínio na Rússia. Manuel Curto afirma que é um erro continuar a insinuar que o país não se libertou completamente do totalitarismo, “a Rússia mudou radicalmente e vai continuar a mudar. O país poderia ser uma democracia perfeita, com respeito integral pelos direitos do homem, mas passou de 75 anos de totalitarismo para um regime democrático, que está instalado”.

Uma das faces mais visíveis das relações entre Lisboa e Moscovo é o aumento da exportação de produtos portugueses para o mercado russo. Em 2004/2005 o crescimento foi de 40 por cento, passando para uns expressivos 70 por cento em 2005/2006. Segundo o chefe da diplomacia portuguesa na Rússia, para além das exportações habituais de têxteis, vestuário, calçado e móveis, já existem planos para se passar à venda de máquinas portuguesas que irão ajudar nas pescas, construção naval, inovação e tecnologia.

Manuel Curto acrescentou que no âmbito diplomático "incrementou-se o nível dos contactos entre os dois países, não havendo praticamente um mês em que não haja uma visita oficial a Lisboa ou a Moscovo". Uma dessas deslocações será feita pelo Presidente Russo, Vladimir Putin, que virá a Portugal no dia 25 de Outubro, para marcar presença na inauguração da filial portuguesa do mítico museu russo Hermitage. Um dia depois Putin continuará em terras lusas, desta vez, para participar na cimeira UE/Rússia que se realizará em Mafra.

Do lado português, a embaixada em Moscovo vai organizar duas exposições: uma de fotografia com o tema “Portugal e a Rússia nos primeiros 20 anos do século XX” e outra dedicada à obra de Álvaro Siza Vieira. Num âmbito diferente será também levado a Moscovo o bailado “Pedro e Inês”. Manuel Curto tenciona ainda realizar um amplo programa de tradução e publicação de obras de escritores e poetas portugueses.

Para que tudo o que a geografia separou seja aproximado pela cultura.