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Porto: Doc-Europa começa hoje

Arranca hoje a segunda edição da mostra de documentário europeu. São 27 países, 27 filmes, com entrada livre. (Veja vídeos no final do texto).

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

"Rural Round", de Diana Novotná, Eslováquia, "A Casa que eu Quero", de Joana Frazão e Raquel Marques, Portugal, e "Hombres de Sal", de Manuel Jiménez Núnez", Espanha, são os três filmes escolhidos para abrir hoje, às 19h, na Fundação de Serralves, Porto e com a presença dos realizadores, a segunda edição de abertura do Doc-Europa.

Dias 7, 8 e 9 na Fundação de Serralves, 14, 15 e 16 no Instituto Franco-Português em Lisboa. A mostra do melhor documentário que se faz na Europa, que este ano se alarga ao Porto, exibirá 27 filmes, um por cada país que fazem parte da Comunidade Europeia. A maratona tem entrada livre.

"O que nos separa? O que nos une?"

"Rural Round" (2008) passa-se em Klenovec e arredores, onde o tempo parece ter parado e há um médico que cuida da saúde e das almas das pessoas que ali vivem.

"A Casa que eu Quero" (2008) é uma visita por seis das casas de emigrantes durante o mês de Agosto em Vascões, Norte de Portugal, vazias durante o resto do ano.

"Hombres de Sal" é o relato do "desaparecimento das nossas costas. E não só debaixo de água".

O Doc-Europa é uma iniciativa da Comissão Europeia através do Centro de Informação Europeia Jacques Delors e é produzido pela Apordoc - Associação pelo Documentário.

Segundo os organizadores, os documentários seleccionados remetem para diferentes olhares e temáticas. "Esta programação permite pensar a Europa na sua diversidade,  tanto como nas suas semelhanças, mas também mostrar que as pequenas histórias individuais, de família, de comunidades localizadas, ou da ideia de nação, são por vezes universais".

Programação ultrapassa clichés

A selecção procurou "ultrapassar clichés". "Não procuramos 'caricaturas' de países, porque é ilusão acreditar que os filmes funcionam como retrato típico. Em documentário não existe retrato nem existe típico".

O programa inclui filmes de conteúdos e geografias diversificados. A família, e as famílias, são um dos temas comuns. "Neles, está o mundo do presente mas também a história, e as pequenas histórias, como o filme estoniano "Disco & Atomic War" (2009) que mostra a forma como o sinal de televisão e a série norte-americana "Dallas" ou o filme "Emmanuelle" atravessavam a fronteira da Finlândia rumo ao Bloco de Leste, nas décadas de 1970 e 80".

No filme austríaco "Figuring Out Father" (2008), realizado por Sandra Lorh, uma mulher nascida em 1916 procura a identidade perdida do pai que nunca conheceu.

Em "Upe, the river" (2009), de Rimantas Gruodis, uma família lituana depende da travessia de barco para sair de sua casa. Já em "Louise, her mothers, her father, her brother and her sisters", Stéphane Mercúrio e Catherine Sinetas mostra, com humor e sensibilidade, novas configurações familiares.  "Mam Blessing" (2008), de Roswitha Eshuis, sobre as questões da imigração e do estado-providência, vai na mesma linha.

Trabalho, quotidiano e lazer

Através do olhar dos realizadores, percorre-se os lugares de trabalho, as salas de estar - "The Living Room of The Nation" (Jukka Karkainen, 2008, Finlândia)-, e os lugares de lazer. Em "Shusu" (2008), do cipriotra grego Diomedes Koufteros, ficamos a conhecer a história de uma conhecida drag queen, dançarina do ventre.

Protagonizado por um cipriota turco, o filme coloca questões identitárias num país dividido pela guerra. Coloca também à superfície questões de género e sexualidade no Chipre.

Em "Where the sun doens't rush" (2009), numa aldeia no meio do nada, o dia-a-dia dos habitantes, sem nada de extraordinário além da própria vida.