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Politólogos prevêem vitória do PS

O PSD sobe um por cento e fica a seis do PS. Mas, pela leitura da tendência dos estudos de opinião do último ano, os politólogos prevêem uma vitória socialista em 2009.

Humberto Costa

Os resultados da sondagem confirmam uma tendência de descida gradual e lenta do PS e um movimento contrário por parte das intenções de voto no PSD. Mas na leitura desta evolução, que tem cerca de um ano, nem António Costa Pinto nem Carlos Jalali (ambos politólogos) interpretam qualquer risco para a vitória socialista em 2009. E se para Costa Pinto as sondagens no último ano e meio "têm sido muito firmes na ausência de maioria absoluta", Jalali admite que, se a um ano de eleições o PS consegue ter 39% das intenções de voto, a maioria absoluta (43%) "não é um caso perdido". Este professor da Universidade de Aveiro encontra, na leitura das sondagens, factores que abrem a janela da maioria absoluta ao PS: "O elevado número de eleitores que ainda não decidiram o sentido de voto" - 22,6% de inquiridos que não sabem ou não respondem - e o facto de ser poder, dão-lhe a prerrogativa de apelar ao voto através das políticas que propõe. Há ainda a subida dos partidos de esquerda, uma reserva de eleitores a que o PS pode recorrer numa estratégia de voto útil. Já para o professor do ISCTE, "sem alguma chantagem eleitoral é pouco provável que algumas intenções de voto que se têm manifestado no BE e até no PCP regressem ao PS".

Não são muito boas as notícias para o maior partido da oposição, apesar da tendência de subida lenta, e mais acentuada desde que Manuela Ferreira Leite é líder. Como refere Jalali, não resta ao PSD senão esperar "que o PS não consiga inverter esta tendência" e manter "uma imagem de seriedade e de alternativa responsável que possa convencer os muitos indecisos". Também para Costa Pinto, o PSD deve "marcar uma alternativa de políticas (emprego, investimento estrangeiro, reforma da segurança social), mas mantendo certos pressupostos sociais-democratas" e mobilizar "os segmentos da chamada sociedade civil de elites próxima do partido". "Chicotadas eleitorais", como refere Costa Pinto, só aconteceriam "com base em factores de crise" que não se vislumbram, ou perante a "emergência de escândalos".

"Não é provável" a interferência do Presidente da República, através de intervenções autónomas, que, como refere Costa Pinto, "são importantes mas imprevisíveis". Porque, acrescenta, "as intervenções na esfera dos valores podem dividir o próprio bloco centro-direita e não são previsíveis manobras eleitoralistas na política económica e social do Governo".

Jerónimo de Sousa: Único a subir

O líder dos comunistas é o único que sobe no estudo de opinião do mês de Setembro, regressando a um saldo positivo de 0,2%, mesmo antes da "rentrée" do seu partido na Festa do Avante!. Este facto assume mais relevância tendo em conta os resultados das outras figuras políticas, todos em queda, incluindo o Presidente da República e o primeiro-ministro. A acentuada subida (2,5%) de Jerónimo de Sousa aproxima-o da presidente dos sociais-democratas, Manuel Ferreira Leite, e do bloquista Francisco Louçã, que encabeça este grupo de líderes que se vão mantendo um pouco acima da linha de água em termos de saldo de popularidade. Bem distantes estão Cavaco Silva e José Sócrates. E, se o PR, este mês com uma descida de 4,8%, mantém o saldo mais elevado, muito acima do primeiro-ministro, que descendo este mês (3,1) continua a ser um caso de popularidade (19,4%), sobretudo pela aparente contradição do resultado do Governo que dirige. O Executivo de Sócrates tem 42,8% dos inquiridos a classificar como negativa a sua actuação. E mais numerosos do que os que aprovam o desempenho do Governo (17,8%) são os que consideram que o trabalho da equipa de ministros de Sócrates não é boa nem má (28,7%). Em suma, a popularidade do Governo este mês desceu 3,6%, afundando-se num saldo negativo de 25,0%. Em tempo de férias a Assembleia da República, apesar das portas encerradas, vê a sua popularidade baixar, assim como Manuela Ferreira Leite, que vinha registando subidas assinaláveis e este mês desce quase dois pontos percentuais (1,7), ficando com um saldo positivo de o,3%. Pelo que se depreende que, afinal, o silêncio nem sempre é de ouro, pelo menos para todos.

José Sócrates - É o único não remodelável do seu governo, segundo a sondagem de popularidade. Num governo em queda, com saldos negativos de 25%. o líder desse Executivo segura-se com um "score" de 19,4%, só batido pelo Presidente da República

Francisco Louçã - O líder do Bloco de Esquerda lidera em popularidade toda a oposição, quer seja a de esquerda quer a de direita. Desceu 1,8%, mas mantém-se com saldo positivo de 0,5%.

Manuela Ferreira Leite - A presidente do maior partido da oposição, no estudo de popularidade, não descola dos restantes companheiros do lado do contrapoder. Mantém-se com um saldo positivo (0,3%), embora tenha descido 1,7% este mês.

Paulo Portas - Está no limite mínimo de popularidade com um saldo de 0,1%, resistindo, este mês, a uma queda de 1,1%.

A sondagem foi efectuada entre 27 de Agosto e 2 de Setembro. Teve por objecto perguntas sobre as legislativas de 2009, a segurança dos cidadãos, desempenho do Ministro da Administração Interna, responsabilidade, consequência, causas e soluções para travar a onda de assaltos, desempenho da líder do PSD, política externa portuguesa relativamente ao Kosovo e conflito no Cáucaso, desempenho dos atletas portugueses no Jogos Olímpicos e do presidente do Comité Olímpico Português, além da intenção de voto e da actuação dos titulares dos órgãos de soberania e dos líderes partidários. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone da rede fixa. A amostra foi estratificada por região: Minho, Douro e Trás-os-Montes (20,4%), Área Metropolitana do Porto (14,7%), Beiras, Estremadura e Ribatejo (29,0%), Área Metropolitana de Lisboa (26,0%), Alentejo e Algarve (9,9%). Foram efectuadas 1322 tentativas de entrevistas e, destas, 289 (21,9%) não aceitaram colaborar no estudo de opinião. Foram validadas 1033 entrevistas. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo. Desta forma resultou, em termos de sexo: feminino 51,6% e masculino 48,4%; e no que concerne à faixa etária: dos 18 aos 25 anos, 16,4%; dos 26 aos 35, 19,2%; dos 36 aos 45, 19,0%; dos 46 aos 59, 20,3%; e mais de 60, 25,1%. O erro máximo da amostra é de 3,05% para um grau de probabilidade de 95,0%.