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Atualidade / Arquivo

Polícia venezuelana tenta encontrar portugueses raptados

Um fim-de-semana em família acabou da pior forma quando David Barreto, o filho e dois sobrinhos regressavam a casa. Estarem demasiado perto da fronteira com a Colômbia não ajudou.

Os quatro cidadãos portugueses que no passado domingo foram raptados a 800 km de Caracas continuam por encontrar, mas as autoridades venezuelanas estão optimistas, especialmente porque contam com os depoimentos de uma “testemunha chave”. Até à  data ainda não foi anunciado qualquer pedido de resgate.

Segundo o ministro venezuelano do Interior e da Justiça, Pedro Carreño, “o Estado venezuelano está a mobilizar-se energeticamente para localizar os quatro portugueses e há um funcionário da Guarda Nacional que presenciou o rapto e é uma testemunha-chave”. Carreño garantiu ainda que as autoridades já estão a investigar alguns grupos que poderão estar relacionados com o sequestro.

Colombianos e venezuelanos trabalham em conjunto

As autoridades de Caracas disponibilizaram um gigantesco dispositivo policial que está a operar na região onde os portugueses desapareceram. Entre eles contam-se efectivos do Grupo Anti-extorsão e Sequestro, e da Direcção dos Serviços de Inteligência Pública, tudo em coordenação com o Departamento Administrativo de Segurança da Colômbia, uma vez que o sequestro aconteceu perto da fronteira deste país, donde se suspeita terem vindo os raptores. As autoridades estão agora a fazer o possível para que os portugueses não sejam transportados para território colombiano.

"Implementámos um amplo plano de procura com todos os organismos de segurança da Venezuela e da Colômbia, para localizar o paradeiro da família raptada e já temos algumas pistas para esclarecer o facto", avançou o General Jaime Escalante, um dos responsáveis pelas buscas, que preferiu não entrar em detalhes sobre as “pistas” encontradas.

Do lado português a diplomacia também está a fazer tudo o que está ao seu alcance. Segundo declarações prestadas ao jornal “Público”, O assessor de imprensa do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga afirmou que no momento se impõe “um silêncio total e absoluto”, uma vez que a prioridade é a “defesa das pessoas”. Contudo avança que as representações diplomáticas na Venezuela estão a acompanhar todos os desenvolvimentos do caso e em permanente contacto com a família dos desaparecidos e as autoridades locais.

Regresso anunciado

O azar bateu à porta destes quatro portugueses quando regressavam de um fim-de-semana na barragem de Uribante-Caparo, na zona sudoeste da Venezuela. David Barreto, o condutor, um comerciante luso de 37 anos seguia na companhia do filho, David Mariano Barreto de 11 anos e dos dois sobrinhos, Alberto Barreto de 13 e José Barreto de 10. O rapto terá acontecido cerca das 21 horas de domingo (hora de Lisboa). O jipe em que seguiam acabou por ser localizado horas depois na estrada que liga a Colômbia a San Cristobal, cidade onde David Barreto trabalha.

Em Vilar das Almas, no concelho de Ponte de Lima, de onde é natural David, a família dos quatro portugueses acompanha o drama à distância mas de coração nas mãos e com “grande preocupação”. Belarmino Barreto, primo de David, foi quem facilitou os contactos entre as autoridades portuguesas e a restante família a residir na Venezuela e sublinha que o regresso definitivo do familiar estava a ser pensado: “O meu primo já falava em sair de lá”. Para esta despedida prematura em muito contou o anterior rapto de outro membro da família e a situação cada vez mais instável na Venezuela. Só entre Janeiro e Julho deste ano foram sequestradas 176 pessoas.