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Polémicos estrangeirismos

A forma como Malaca Casteleiro «importou» e adaptou para o seu dicionário inúmeros estrangeirismo valeu-lhe inúmeras criticas. Diferente opção teve Graciete Teixeira, da Porto Editora, que defende que não cabe aos autores de um dicionário intervir sobre a língua.

Uma das características do dicionário da Academia de Ciências de Lisboa que mais contestação suscitou foi a grande quantidade de estrangeirismos que introduziu e a forma como o fez. Inúmeras palavras foram pura e simplesmente importadas do inglês, é o caso de «deadline», «dealer», «bluff», «blackout» ou «sticom», outros como «snobe», «bibelô» ou «robô» foram aportuguesadas com grafia nova e eliminando a grafia anterior. Por outro lado, os críticos chamaram a atenção para a falta de coerência nas diferentes opções tomadas.

 

Ao contrário do que se poderia pensar, Malaca Casteleiro defende que existe «uma proliferação exagerada de estrangeirismos, sobretudo na comunicação social, o que não é salutar para a preservação da identidade da língua portuguesa». E se por um lado considera que há palavras tão instaladas, que seria impensável mudá-las, por outro diz que essa preocupação de preservação da identidade da língua o levou a «aportuguesar o maior número de estrangeirismos» adaptando-as às «regras morfológicas, fonéticas e ortográficas do português».

 

Diferente opção teve Graciete Teixeira que diz que o dicionário da Porto Editora não tentou impor uma nova ortografia, pois defende que o papel de um dicionário é apenas de «reflectir a língua existente num determinado momento».

Outra diferença entre ambos os dicionários é que o da academia pretende ser uma obra dedicada à «codificação», ou seja uma ferramenta de auxílio à «expressão» enquanto que nos outros é geralmente privilegiado o aspecto da compreensão. Por outro lado Malaca Casteleiro inclui-o as abonações das diferentes entradas, enquanto que no da Porto Editora elas não foram incluídas de modo a conseguir que fosse editado em apenas um volume.