Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Poesia de O'Neill continua viva

A fórmula para os seus poemas resumia-se a três palavras: crítica, sátira e ironia. Leitores e críticos consideravam-no um «poeta engraçado».

Descendente de irlandeses, Alexandre O’Neill nasceu em Lisboa em 1924. Aos vinte anos concluiu o 1.º ano da Escola Náutica de Lisboa mas foi-lhe recusada a cédula marítima por causa da sua miopia. «Eu nasci para marinheiro, mas pus óculos e fiquei em terra», explicava o poeta com o seu típico bom humor. O sonho de ser piloto foi assim posto de parte para dar lugar à poesia.

Em 1947 publicou os seus primeiros textos na revista «Mundo Literário», mas foi no ano seguinte que o seu nome começou a ser falado. Com apenas 23 anos, foi um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa, e participou na publicação «Ampola Miraculosa». No entanto, a relação do poeta com o Movimento durou pouco. Em 1950 abandonou o grupo, mas continuou a ser defensor dos ideais da libertação total do homem e da arte.

Os seus textos e poemas caracterizavam-se pela sátira intensa a Portugal, destruindo a imagem de um proletariado heróico criada pelo neo-realismo. Em 1966 o seu nome galgou as fronteiras portuguesas e foi traduzido e publicado em Itália, sob o título «Portogallo Mio Rimorso».

Para assegurar a sobrevivência, O'Neill escreveu em quase todos os jornais e revistas, inclusive em alguns números da revista «Almanaque», e desenvolveu paralelamente projectos noutras áreas. Durante algum tempo trabalhou nas bibliotecas itinerantes da Fundação Gulbenkian e ingressou no mundo da publicidade. Apesar de não ser a sua paixão criou alguns slogans de destaque, como o mítico: «Há mar e mar, há ir e voltar».

Aos 61 anos sofreu um ataque cardíaco. Para o poeta, a morte era uma «fuga definitiva a todas as chatices», que não lhe metia medo. Após cinco meses de internamento, faleceu no Hospital Egas Moniz, a 21 de Agosto de 1986.