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Poder às mulheres!

Faz em 2006 cem anos que as finlandesas têm plenos poderes políticos. Mas, apesar da igualdade de direitos, a paridade na representação e a diferença salarial continuam ainda hoje desequilibradas entre homens e mulheres

Há cem anos que as finlandesas podem votar tendo elegido, pelo exercício deste poder, 19 membros do Parlamento (constituído por 200) do sexo feminino, no primeiro escrutínio efectuado após a reforma, em 2007.

Maria Lähteenmäki, professora de História da Universidade de Helsínquia, afirma que esta reforma foi tão revolucionária para a sociedade finlandesa que não tem comparação com mais nenhuma, nem mesmo com a declaração da independência que a Finlândia fez da Rússia, em 1917, após a Revolução comunista.

Em1906, a Finlândia fazia parte do Império russo e era governada por uma escassíssima minoria que geria um estado ao qual só 120 mil pessoas pertenciam. Os restantes não tinham direitos de cidadania. Cabia-lhes resistir à «russificação», o «excesso de interesse» do czar pelo território que impunha o russo como língua oficial (ainda que o finlandês o fosse desde 1863), entre outras coisas. Já havia, nesse período, associações de mulheres que trabalhava com determinação na resistência ao czar.

Com a reforma foram incluídos na nação 1300 pessoas, um número que incluía todos os maiores de 24 anos. As mulheres, tradicionalmente habituadas a fazer o trabalho rural ao lado dos seus homens, eram tão instruídas quanto eles desde que o ensino público passara a incluir as raparigas em todos os seus programas, a partir de 1860. Na altura em que as cidades começaram a desenvolver-se, fazia sentido que as mulheres se inserissem na vida pública como já acontecia na escola.

Mesmo assim, e apesar da igualdade de direitos, a paridade na representação e a diferença salarial continuam ainda hoje desequilibradas. Em 1907, havia 19 deputadas e hoje, no mesmo total de 200 deputados, há 39. Relativamente aos salários, costuma dizer-se que o euro das mulheres vale apenas 80 cêntimos, tal é a diferença salarial. Há quem acredite que a situação vai mudar mas o ritmo promete ser lento. 60% da população universitária é hoje constituída por mulheres mas é verdade que os sectores profissionais de maior influência – como a legislação económica e a política externa – são ainda preenchidas maioritariamente por homens. Há mesmo quem avance com convicção que o poder económico e a esfera do poder político não abrirão as portas às mulheres.