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Plutão diz adeus ao clube dos planetas

Debate intenso termina com a redução de nove para oito dos planetas clássicos do Sistema Solar e a despromoção de Plutão a uma nova categoria de planetas anões.

Afinal, o sistema solar não será ampliado de nove para 12 planetas, como previa a resolução inicial da União Astronómica Internacional (UAI), mas antes reduzido a oito astros. O grande prejudicado pela nova ordem solar aprovada esta tarde em Praga, na República Checa, é Plutão, que viu o nome definitivamente excluído do grupo de planetas clássicos (agora constituído por Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno) e foi despromovido a uma nova categoria de planetas anões. Os mais de 2500 especialistas de 75 países reunidos no encontro reconhecem, assim, o erro cometido com a classificação de Plutão, aquando da sua descoberta em 1930.

A decisão surge depois da proposta do Comité Executivo da UAI em acrescentar três novos planetas ao sistema solar – o asteróide Ceres, a lua maior de Plutão, Caronte, e o UB313, ainda sem nome oficial, mas baptizado de Xena pelo seu descobridor, Mike Brown – ter motivado um verdadeiro coro de protestos. Cerca de metade dos participantes cedo demonstrou a sua oposição à manutenção do estatuto do «planeta gelado» e considerou que a definição apresentada abria a porta à integração massiva de outros corpos celestes no futuro.

O esboço elaborado após dois anos de intenso debate público previa a divisão do sistema solar em duas categorias de planetas: os oitos planetas clássicos e os «planetas plutões». Plutão seria a referência desta nova categoria, que incluiria nesta fase Caronte e o 2003 UB313, mas poderia receber no futuro dezenas de objectos semelhante que habitam a Cintura de Kuiper, uma zona misteriosa em forma de disco, situada para lá de Neptuno. O conceito foi, contudo, abandonado depois de dias de controvérsia e críticas ferozes vindas até do mundo da geologia, que reclamou para si o uso do termo «plutão».

Um vazio com cinco séculos

Segundo a resolução aprovada esta tarde – e que põe fim a um vazio científico que se prolongava há cinco séculos – são três as condições a que um objecto tem que obedecer para poder ser designado de planeta: estar em órbita em redor do Sol; ter massa suficiente para que a sua própria gravidade o deixe com uma forma quase esférica; e ser um objecto dominante na sua órbita. É precisamente esta última condição que deixa de fora Plutão – cuja órbita atravessa a cintura de Kuiper, onde vagueiam milhares de corpos celestes – e os três novos candidatos.

Neste quadro, Plutão, Ceres e o 2003 UB313 serão considerados planetas anões e Caronte manterá o seu estatuto de satélite de Plutão. Foi ainda criada uma terceira categoria, a de corpos pequenos do sistema solar, para todos os outros objectos que orbitam em redor do Sol.

Por decidir, fica o nome a atribuir aos planetas anões, já que os astrónomos presentes na votação rejeitaram a designação «planetas plutonianos». A tarefa caberá agora ao Comité Executivo da UAI, que define a nomenclatura espacial desde a sua criação em 1919.

O mais pequeno, frio e distante dos planetas

A necessidade de uma definição científica para o termo «planeta» foi despoletada com a descoberta, em 2003, do UB313, um corpo gelado situado a 14.550 milhões de quilómetros da Terra, que, por ser maior que Plutão, aspirava a ser considerado um planeta. O descobridor, Mike Brown, baptizou-o Xena, em homenagem à princesa guerreira da série televisiva, mas um nome oficial só deverá ser decidido na XXVII Assembleia Geral da UAI, convocada para 2009, no Rio de Janeiro.

Descoberto em 1930 pelo astrónomo americano Clyde Tombaugh, Plutão era o mais pequeno, frio e distante dos planetas (a quase 6000 milhões de quilómetros do Sol), e o único que nunca foi visitado. A sua temperatura média à superfície chegava aos 215 graus negativos, razão pela qual é conhecido como o «planeta gelado». Foi, contudo, o tamanho, que foi reduzido ano após ano e foi estabelecido agora em 2300 quilómetros de diâmetro, que sempre o colocou na mira dos seus detractores, que há muito consideravam que havia sido um erro admiti-lo como planeta. É mais pequeno que a Terra (em cerca de 12.750 quilómetros), que a Lua terrestre (3.480 quilómetros) e que o próprio 2003 UB313 (cerca de 3.000 quilómetros). Outro argumento contra o seu estatuto era a sua forma pouco ortodoxa, cuja inclinação não é paralela à Terra nem aos outros sete planetas do Sistema Solar.