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Perguntas e respostas

Qual é o maior problema das Nações Unidas?
O maior problema das Nações Unidas é a falta de liderança do seu mais importante membro, os Estados Unidos. No início do Verão, o vice-secretário-geral, general Mark Malloch Brown, fez um discurso no qual disse que os Estados Unidos recorrem frequentemente à ONU em caso de emergência. No entanto, só muito raramente reconhecem os benefícios da ONU, se é que alguma vez o fazem. Por oposição, os políticos dos dois partidos atacam muitas vezes as Nações Unidas para alcançarem vantagens políticas: fazendo parecer que defendem os interesses dos EUA contra a infiltração de um corpo mundial intrusivo. Esta atitude dificulta que haja uma união em torno das prioridades globais e encoraja os norte-americanos que pretendem fazer cortes no apoio financeiro às Nações Unidas, minando a sua autoridade. Até que surja um Presidente dos EUA que verdadeiramente acredite no sistema global, as Nações Unidas nunca alcançarão o seu potencial.

Como é que se escolhe o novo secretário-geral da ONU?
Tem-se chamado à escolha de um novo secretário-geral um enclave papal sem fumo branco. Não há procedimentos formais e a decisão é normalmente tomada por um pequeno grupo de diplomatas em encontros secretos. Este ano, o processo tem sido mais transparente que no passado: houve nomeações formais, os candidatos abriram sítios web e houve campanhas vigorosas. No fim, o único critério essencial para ganhar é não ser alvo da antipatia de nenhum dos cinco membros detentores de poder de veto no Conselho de Segurança (CS).

Este ano é «a vez da Ásia». Cinco candidatos foram formalmente nomeados pelos seus governos. Não há uma só mulher candidata apesar dos apelos de Kofi Annan para que houvesse. Outros 37 nomes foram avançados com graus variados de entusiasmo e o vencedor pode acabar por ser um que não tenha sido sequer considerado até agora.

Quais sãs as três qualidades essenciais para ser secretário-geral das Nações Unidas?

Ser Secretário:

Os Estados Unidos insistem para que as Nações Unidas sofram uma reforma e tenham uma melhor gestão, que o próximo secretário-geral seja uma pessoa orientada para o detalhe, uma pessoa capaz de contratar a despedir pessoal, que consiga livrar-se de burocratas incompetentes, que acabe com as ineficiências.

Ser General:

A maioria do resto do mundo exige que o próximo secretário-geral seja um líder, o maior diplomata do mundo, alguém capaz de forçar o processo de paz do Médio Oriente, de conferir unidade às questões que dividem as opiniões - como o Irão -, que seja capaz de falar em nome de milhares de milhões de pobres.

Ser Diplomata:

Ao nível mais pessoal, o próximo secretário-geral tem de ser capaz de tornar felizes as pessoas da Casa Branca sem alienar o resto do mundo. Os Estados Unidos são o «poder indispensável» do mundo e pagam 25% do orçamento da ONU. Sem o apoio dos EUA, a ONU é inútil. Mas os EUA são presentemente tão impopulares que um secretário-geral demasiado próximo de Washington arrisca-se a alienar o resto do mundo.

Solução:

Há quem sugira que esta eleição deveria ser combinada: um secretário-geral que seja «General» e um vice secretário-geral que seja «Secretário».

Quem são os candidatos?

Surakiart Sathirathai

Vice primeiro-ministro da Tailândia. Apoiado pela ASEAN, a associação das nações do sudeste asiático. Primeiro candidato a anunciar-se oficialmente, provocou uma campanha mais aberta e vigorosa do que é habitual. A sua proximidade com o primeiro-ministro Thaksin Shinawatr, que é visto por alguns como anti-muçulmano, prejudicou as suas hipóteses de ser escolhido

Jayantha Dhanapala

O primeiro favorito. Antigo diplomata do Sri Lanka e funcionário das Nações Unidas responsável pelo desarmamento. Modesto e apreciado. Conhece bem as Nações Unidas. Fala mandarim, o que agrada a Pequim. Está muito identificado com o processo de paz do Sri Lanka e o colapso do referido processo prejudicou as suas hipóteses de nomeação.

Ban Ki-moon

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul. Apreciados pelos Estados Unidos e pela China. Ampliou a sua reputação durante as conversações para o desarmamento com a Coreia do Norte. De tal maneira que se tornou demasiado valioso para deixar o seu actual emprego.

Shashi Tharoor

Indiano. Subsecretário para a comunicação e informação pública das Nações Unidas. Brilhante autor premiado. Mais estilo que substância? Conhece as Nações Unidas de alto a baixo e poderia fazer um bom trabalho na sua reforma, o que é uma das prioridades dos Estados Unidos. Nunca nenhum secretário-geral veio de um país tão grande como a Índia. A China poderá opôr-se.

Príncipe Zeid Ra’ad Zeid al-Hussein

Embaixador da Jordânia nas Nações Unidas e antigo oficial político na força de manutenção de paz na Bósnia. Candidato de última hora. Educado no Reino Unido e nos Estados Unidos, portanto, muito ocidentalizado. Londres e Washington gostam dele. Poderia dar um empurrão ao processo de paz do Médio Oriente? Talvez não seja suficientemente asiático para a China.