Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Peixes fora do menu em 2050

Um estudo divulgado pela revista "Science" vaticina a morte das espécies marinhas dentro de 44 anos. O presidente da Quercus aponta algumas soluções para evitar o colapso.

Um estudo divulgado hoje pela revista "Science" alerta para o perigo de desaparecimento de 90% dos peixes que hoje habitam os oceanos do planeta. Dentro de pouco mais de quatro décadas, os hábitos alimentares dos seres humanos poderão ter os dias contados.

O relatório dirigido pelo investigador Boris Worm, do Departamento de Biologia da Universidade Dalhousie, no Canadá, denuncia uma perda progressiva da biodiversidade oceânica, que deverá atingir o colapso em 2050 se nada for feito para o evitar.

O estudo baseou-se na avaliação do potencial de recuperação, estabilidade e qualidade da água, que tem vindo a diminuir devido à redução das espécies costeiras, ao aumento da poluição e do aquecimento global.

"A menos que mudemos de forma fundamental a forma como gerimos as espécies oceânicas, este será o último século de espécies marinhas selvagens", afirmou Steve Palumbi, outro dos autores do estudo.

O documento vem dar relevo às preocupações que têm existido nas últimas décadas face à preservação dos recursos naturais. Uma delas, é a da gestão dos recursos marinhos, que carecem de uma gestão baseada em métodos que respeitem o equilíbrio ambiental.

Helder Spínola, presidente da Quercus, apresenta como alternativa à pesca directa no mar a criação de espécies em aquacultura. "A sociedade deve ser mais comedida no consumo, existem demasiados desperdícios e a aposta deve passar por desenvolver hábitos mais sustentáveis", referiu.

No caso português, por exemplo, a sobrepesca é um dos factores de risco que deverá ser combatido "definindo claramente as quotas de pesca que põem em causa a sobrevivência das espécies", explicou o presidente da organização, acrescentando que "faltam condições sociais de aceitação por parte do sector da pesca e também um maior envolvimento do poder político" nestas matérias.

Na opinião do presidente da Quercus, os meios de fiscalização e de patrulhamento da costa portuguesa são "insuficientes", um problema agravado pelo facto de Portugal ter uma das maiores zonas económicas exclusivas da Europa.