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Paulo Portas aceita congresso

O adversário de Ribeiro e Castro vai deixar cair a exigência de directas, mesmo que o Conselho de Jurisdição diga esta noite que as directas aprovadas pelo Conselho Nacional podem ir em frente.

Paulo Portas deverá anunciar amanhã que aceita discutir a liderança do CDS em congresso, deixando cair a sua exigência de disputa em eleições directas. Segundo o Expresso apurou, o adversário de José Ribeiro e Castro irá anunciar esta decisão em nome da pacificação interna do partido e para evitar mais episódios de um confronto que tem prejudicado a imagem externa do partido. "Se fazem questão de ir a congresso, é no congresso que vão perder", afirma um destacado apoiante de Portas.

Esta noite o Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) irá pronunciar-se sobre se o CDS pode ou não realizar directas sem um congresso antes, conforme foi decidido por maioria no Conselho Nacional (CN) de domingo passado. Apesar de a maioria dos conselheiros ter votado a favor da proposta de Portas – directas primeiro e congresso depois – Maria José Nogueira Pinto, presidente do CN, considerou que prevalece o requerimento apresentado por mais de mil militantes, exigindo um congresso imediato.

A distrital de Viseu perguntou ao CJN se o requerimento tem precedência sobre a decisão do CN. Portas já fez saber que acatará qualquer decisão da Jurisdição, mas a expectativa dos portistas é que aquele órgão lhes dê razão, à semelhança do que já aconteceu quando estava em causa saber se o CN podia marcar directas ad hoc ou mesmo alterar os estatutos para realizar as directas (teses defendidas por Portas, mas que eram contrariadas por Ribeiro e Castro). Em ambos os casos a Jurisdição admitiu a realização de directas sem ser preciso um congresso antes e, esta noite, os portistas confiam que aquele órgão volte a dar-lhes razão, considerando que o requerimento dos militantes não se sobrepõe à decisão do Conselho Nacional.

Se se confirmar essa vitória, será mais um trunfo para Portas. Mas não o fará continuar a luta pelas directas. Pelo contrário: mesmo que tenha o apoio da Jurisdição, Portas deixará cair a sua exigência, argumentando que não quer deixar cair o partido numa nova batalha jurídica. Recorde-se que é possível recorrer da decisão do CJN para o Tribunal Constitucional, e tanto Mota Campos como Narana Coissoró, membros da Comissão Política, já admitiram esse recurso, caso a Jurisdição contrarie a decisão de Maria José Nogueira Pinto.

No programa Quadratura do Círculo, na quarta-feira, António Lobo Xavier já tinha defendido que Portas devia deixar cair a exigência de directas.