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Atualidade / Arquivo

Patrulha em alerta acrobático

Destemidos, os Rotores de Portugal dão corpo ao sonho de manobrar helicópteros. Uma diversão que levam muito a sério.

É no hangar da esquadra 552 na Base Aérea n.º 11, em Beja, que os helicópteros Alouette aterram após 18 minutos de coreografias aéreas. Durante a demonstração, o sistema de som, as palmas da assistência e a voz de incentivo do «speaker» da patrulha confundem-se com o ruído ensurdecedor das aeronaves que rasgam os céus em acrobacias arriscadas.

O Major Filipe Azinheira, comandante da esquadra 552, o Major Fernando Leitão e o Capitão Jorge Paulino são os ases dos Rotores de Portugal, uma das duas patrulhas acrobáticas da Força Aérea Portuguesa (FAP).

Os pilotos dos Rotores de Portugal cumpriram já largas horas de voo ao serviço da esquadra 552. A experiência é um requisito essencial para envergar o emblema da patrulha, que honram com determinação.

O espectáculo começa momentos antes da descolagem das aeronaves – os três helicópteros alinhados na pista são minuciosamente vistoriados pelos pilotos, num ritual sincrónico que só abandonam no fim da demonstração.

Os aparelhos abandonam a pista, um de cada vez, subindo em direcção ao céu, para regressar mais tarde ao local de partida e, a escassos metros do solo, executar movimentos giratórios, cruzamentos e simulações de choque eminente.

Além de mais emocionante, o efeito do solo, como é vulgarmente designado, permite executar manobras mais arrojadas – moinho, pêndulo, espelho e rotação em translação, são disso exemplo – que diferem ligeiramente durante as demonstrações sobre a água. Neste caso, os pilotos perdem a noção de profundidade e por isso executam as coreografias a maior altitude.

Recriar os voos de helicóptero é um dos objectivos desta patrulha. O Comandante Azinheira chama-lhe a “arte de voar”. Quando ingressou na Força Aérea estava longe de adivinhar que um dia iria conduzir os destinos de uma esquadra de helicópteros. No momento em que se prepara para abandonar a Base Aérea de Beja, dois anos após assumir o comando da esquadra 552 e dos Rotores de Portugal, sublinha que pilotar helicópteros é, acima de tudo, uma paixão.

Aeronaves com história

A grande capacidade de manobra do Alouette torna possível o voo em formação com evolução a baixa altitude, executado pelos Rotores de Portugal. Porém, estes helicópteros não são meros instrumentos lúdicos e a prová-lo está o seu passado além fronteiras.

Adquiridos pela FAP em 1963, efectuaram missões na Guerra do Ultramar (Guiné-Bissau, Moçambique e Angola) e, mais recentemente, em Timor-Leste. Pela primeira vez, aeronaves militares portuguesas ostentaram as cores das Nações Unidas.

Actualmente, continuam a assegurar missões de vital importância, casos das Operações de Transporte Aéreo Táctico, Instrução Complementar de Pilotagem, Missões de Apoio Aéreo ao Combate, Busca e Salvamento, Operações de Transporte Aéreo Geral e Operações de Apoio no Ataque a Incêndios.

Intermitências na patrulha

Os Rotores de Portugal formaram-se há 30 anos, em Abril de 1976. À data representavam a Esquadra 33 e exibiam-se com quatro helicópteros em simultâneo. Dois anos mais tarde integraram a recém-criada Esquadra 552 “Zangões”, onde ainda permanecem. Entre 1982 e 1989, reduziram a actividade a demonstrações em instituições militares e só regressaram às exibições públicas em 1991. No entanto, e até 2004, missões de vital importância atribuídas à Esquadra 552, entre as quais a presença em Timor-Leste, obrigaram os Rotores a uma nova paragem. Em 2005, e no âmbito da celebração dos 53 anos da Força Aérea, os Rotores de Portugal regressaram em força aos céus de Portugal.