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Passos recusa declaração conjunta com Sócrates

Desta vez, cada um fala por si. O pacote de austeridade foi negociado por Teixeira dos Santos e Nogueira Leite em três reuniões.

Ângela Silva (www.expresso.pt)

Ao contrário do que aconteceu há 15 dias quando anunciaram ir trabalhar em conjunto contra a crise, amanhã José Sócrates e Pedro Passos Coelho não farão uma declaração conjunta ao país. O líder do PSD preferiu que cada um assuma a sua quota parte no pacote de austeridade que aí vem e falará às 16h30 na sede nacional do partido.

As negociações prolongaram-se pelos últimos dias, com o ministro Teixeira dos Santos (pelo lado do Governo) e o economista António Nogueira Leite (pelo PSD) a protagonizarem três encontros (um na segunda-feira, um na terça e o último hoje), decisivos para o acordo que amanhã será anunciado.

Só hoje, o Governo pôs em cima da mesa as medidas concretas que decidiu propor ao PSD - o pacote de aumentos fiscais e de cortes na despesa pública. E o PSD aproveitou a demora do Executivo para tornar públicas as suas exigências - cortes na despesa proporcionais às medidas para aumentar a receita, um corte de 5% nos vencimentos dos políticos, gestores públicos e reguladores, e a garantia de uma monitorização mensal da execução orçamental feita por entidades independentes. Os sociais-democratas também exigiram a garantia de que não haverá desorçamentação nos organismos públicos e só mediante estas medidas aceitaram o aumento da carga fiscal (IVA e IRS) proposto por José Sócrates.

Passos Coelho teve carta branca do Conselho Nacional e do Grupo Parlamentar do PSD para concordar com este pacote. Mas no documento que levou à direcção do partido deixou claro que a responsabilidade da actual situação é das políticas seguidas pelo Governo e avisou que a hora da assacar responsabilidades chegará. Demarcar-se o mais possível da "má moeda" deste acordo é, politicamente, a prioridade para o PSD.