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Passos exige a Sócrates cortes quantificados no Estado

Menos 2,9% nos vencimentos dos políticos é a medida simbólica. Passos só aceita negociar com o Governo se "o Estado der o exemplo".

Ângela Silva (www.expresso.pt)

Pedro Passos Coelho convocou de urgência o Conselho Nacional do PSD para pedir carta branca para negociar com o Governo, mas aproveitou para deixar claras as suas exigências: redução da despesa pública proporcional ao "eventual aumento da receita que o Governo venha a propor (entenda-se aumentos de impostos), com carácter extraordinário e transitório"; distribuição "justa e equilibrada" dos sacrifícios adicionais, "com o Estado a dar o exemplo"; fim do recurso à desorçamentação pública, fixação de limites apertados ao endividamento das empresas públicas e abolição de qualquer excepção às regras da contratação pública; monitorização mensal da execução orçamental por entidades independentes do Governo; e corte, no mínimo, de 2,9% nos vencimentos dos políticos e gestores públicos.

No documento que levou ao Conselho Nacional do seu partido, Passos Coelho lembra que "não foi apenas pela crise internacional que Portugal chegou à situação que estamos a viver". A razão fundamental, diz, "tem a ver com as estratégias políticas erradas que foram seguidas e o PSD não é, certamente, responsável".

"Haverá certamente um tempo em que o apuramento das responsabilidades deverá ter lugar", avisa o líder do PSD, que, por agora, promete disponibilidade para ajudar "Portugal e os portugueses".

Passos reúne-se ainda esta semana com o primeiro-ministro mas o encontro ainda não está agendado. O líder social-democrata aguardou por propostas do Governo mas, não tendo recebido até agora nenhum sinal, decidiu avançar com algumas exigências, tentando, assim, condicionar a negociação que se prepara para iniciar e com a qual não se mostra disposto a deixar que o seu partido seja tão desgastado quanto o Governo socialista.