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Passos Coelho desafia Ferreira Leite a dizer o que pensa

Foi um claro desafio à nova líder para que não exagere no silêncio e não queira ganhar as eleições sem dizer o que pensa fazer diferente do PS.

Ângela Silva, em Guimarães

"Não tenha medo de dizer o que pensa, porque nem o partido nem o país têm obrigação de adivinhar". Foi forte o desafio deixado por Pedro Passos Coelho  a Manuela Ferreira Leite, no primeiro discurso que fez aos congressistas. O ex-candidato à liderança do partido prometeu à nova líder  que tudo fará "para ajudar o PSD a ganhar as eleições" mas desafiou-a a clarificar qual o programa e as ideias alternativas às do PS com que tenciona ter sucesso em 2009.

Divergindo de Manuela por esta ter dito no discurso de abertura do Congresso que o maior erro de José Sócrates foi ignorar o PSD, Passos Coelho afirmou: "o maior erro do PS não foi esse. Foi não ter sido carne nem peixe. E nós não podemos ter medo de ser diferentes deles ou, com o nosso silêncio, deixarmos que as pessoas pensem que nós pensamos como eles". Estava feita a demarcação com a estratégia até aqui parcimoniosa da nova líder social-democrata, mas o desafio foi clarificado  por Passos Coelho ao limite. "Srª doutora, estamos aqui todos a apoiá-la mas o país tem que saber qual é o projecto político que a senhora vai encabeçar".

Que papel pensa Manuela Ferreira Leite reservar para o Estado foi a grande questão colocada pelo ex-líder da JSD à nova líder do partido. Pedro Passos questionou o facto de não ter visto na moção de estratégia de Manuela nenhuma referência à forma como tenciona rever o papel assistencialista do Estado na Saúde, e avisou: "é mentira que o Estado possa oferecer tudo a toda a gente. Espero que não avancemos para as eleições prometendo tudo a todos porque nesse caso entraríamos numa via populista".

Passos Coelho confessou ter sido avisado por alguns, durante a campanha para as directas no partido, de que só tinha a perder em dizer as "verdades incómodas" que ousou dizer nomeadamente contra a predominância do Estado e ao assumir posições mais liberais, mas, explicou: "a esses respondo: não pensem só nas eleições. Pensem no futuro do país". Garantindo , apesar dos alertas e desafios à nova líder do partido, que  a sua "luta maior é contribuir no limite das possibilidades para que a drª Manuela ganhe as legislativas de 2009",  Passos Coelho  assumiu, no entanto, que não poderá "apoiar aquilo em que não acredita" e prometeu estar disposto a apoiar o partido da forma que considera ser "honesta". Ou seja, assumindo as diferenças e lutando por elas nos órgãos próprios do partido.

Foi a oportunidade para convidar os que concordam com as suas ideias a alinharem na sua lista para o Conselho Nacional do partido. Até meio da tarde a angariação de apoios não estava a correr tão bem quanto o esperado, resta saber que efeito produziu o discurso." Os aplausos na sala foram espontâneos, embora o clima deste Congresso não se tenha até agora mostrado propício a entusiasmos capazes de levantar a assistência.