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Partidos abdicam de mais perguntas a Sócrates

Os partidos presentes na Comissão de Inquérito não vão fazer mais perguntas a José Sócrates, considerando que fazê-lo por escrito seria "prolongar indefinidamente a comissão sem um efeito real de esclarecimento". Clique para visitar o dossiê Face Oculta

Todos os partidos abdicaram hoje de fazer uma segunda ronda de perguntas ao primeiro ministro, e preferem partir já para a fase final dos trabalhos da comissão de inquérito, cujo relatório será entregue dia 11 de junho.

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Na reunião da comissão de inquérito ao "caso TVI", que durou cerca de 15 minutos, todos os partidos anunciaram que não fariam mais perguntas ao primeiro ministro.

O deputado do PSD Pacheco Pereira reiterou a posição assumida na semana passada, segundo a qual os trabalhos da comissão ficaram prejudicados "a partir do momento em que a comissão não trabalha com todos os elementos enviados".

O deputado referia-se à proibição do uso dos elementos recolhidos nos resumos de escutas enviados à comissão pela comarca do Baixo Vouga, relativos a conversas do ex-assessor da PT Paulo Penedos e do quadro do BCP Armando Vara.

João Oliveira, do PCP, repetiu o que tinha anunciado antes da reunião: fazer mais perguntas "seria um exercício inútil" dada a "falta seletiva de memória do primeiro ministro" verificada nas respostas às 74 perguntas enviadas.

João Oliveira destacou que a "falta seletiva de memória" verifica-se "particularmente em relação aos contactos com Rui Pedro Soares", ex-administrador da PT a quem são apontadas ligações próximas ao Governo e ao primeiro ministro.

Uma conclusão já pode ser tirada, defendeu: "Dos dados obtidos e das audições [realizadas] há uma possibilidade de o relatório ser conclusivo em relação à falta de credibilidade de algumas informações que foram dadas".

O deputado do Bloco de Esquerda, João Semedo, disse à saída da comissão de inquérito que "os esclarecimentos do primeiro ministro são suficientes naquilo que esclarecem".

"Naquilo que não esclarecem, tiraremos conclusões", afirmou.

Cecília Meireles, do CDS-PP, admitiu que "há questões que ficaram pendentes mas que têm a ver com o facto de o primeiro ministro ter decidido responder por escrito".

"A partir do momento em que toma esta decisão de responder por escrito", fazer mais perguntas também por escrito seria "prolongar indefinidamente a comissão sem um efeito real de esclarecimento".

Questionado sobre o eventual envio das conclusões para o ministério público, o relator da comissão referiu que essa é sempre uma possibilidade prevista na lei.

"A comissão terá que avaliar. As conclusões políticas dizem respeito ao Parlamento. Se a comissão considerar que no material que foi recolhido existem elementos que devam chegar ao conhecimento da Justiça, essa é uma decisão natural", disse João Semedo.

A comissão de inquérito termina os trabalhos no dia 14 de junho.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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