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Paraquedistas com destino ao Afeganistão retidos em Figo Maduro

Falhou pedido de autorização do Governo para sobrevoar Azerbeijão.

A companhia de Paraquedistas, 103 homens, que deveria render as tropas dos Comandos em Cabul, no Afeganistão, a 16 de Agosto, está retida em Figo Maduro desde terça-feira.

O atraso na deslocação dos militares deve-se à falta de pedido de autorização para sobrevoar o Azerbeijão, onde deveriam também fazer uma escala técnica em Baku, a capital daquele país.

O pedido foi feito apenas no dia 11, sabendo-se de antemão que a autorização levaria dez dias a ser emitida. O ministério da Defesa conseguiu desbloquear a situação com o Azerbeijão ontem de manhã, mas a última previsão de saída, avançada por fonte do exército, é para a próxima terça-feira, com chegada a Cabul no dia seguinte.

Uma data que o ministério da Defesa não confirma. «Não sabemos ainda quando é que o avião pode partir. Há ainda questões a tratar com os vários países que vamos sobrevoar, novos contactos a estabelecer com a companhia aérea e também com os militares», afirmou fonte do gabinete de Nuno Severiano Teixeira, que acrescentou: «está determinado a que o voo parta o mais rapidamente possível. Amanhã, daqui a dois dias, terça-feira, uma semana, 15 dias, não sabemos».

As responsabilidades deste atraso, diz o gabinete de imprensa do ministério da Defesa, «é de toda a gente». O processo de pedidos de autorização para sobrevoar países em que não haja licença permanente de voo deve ser desencadeado pelo exército. O primeiro passo é pedir à companhia aérea o plano de voo, que é de seguida enviado para a Força Aérea, de lá sai um documento para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que, por sua vez, contacta as embaixadas dos respectivos países para que peçam a autorização directamente às autoridades de cada nação.

O avião civil fretado para transportar os paraquedistas e trazer para casa os 150 comandos em missão no Afeganistão desde Fevereiro, pertence à Luziar, contratada através de concurso público. «Tivemos que recorrer a um voo civil porque o número de militares a transportar era demasiado elevado para utilizarmos os nossos C130», esclarece apenas o comandante Pedro Carmona, do gabinete de imprensa do Estado Maior do Exército.

Prejuízos por apurar

No entanto, estão por apurar os custos que esta demora pode acarretar para o Estado português. O EXPRESSO sabe que a companhia aérea reivindica mais dinheiro para efectuar o voo e por manter o avião estacionado e carregado com armamento há cinco dias, embora ainda não tenha feito chegar nenhum documento oficial ao ministério da Defesa no sentido de exigir reforço de pagamento ou indemnização.

O atraso não é considerado «invulgar» pelas forças da ISAF (International Security Assistance Force) da NATO, em Cabul, mas já provocou o adiamento de uma operação militar programada para os paraquedistas. «Por razões de segurança não podemos adiantar pormenores sobre a operação. O que posso dizer é que o trabalho vai continuar com os portugueses ou sem eles. Vamos conseguir fazê-lo com outras tropas», disse ao EXPRESSO o major Jobi Dackmen, porta-voz da ISAF, em Cabul, sem querer alongar-se  sobre a possibilidade da imagem do exército português, «até aqui exemplar», poder sair «beliscada» depois desta falta de organização.

Por seu lado, o ministério de Nuno Severiano Teixeira garante que os paraquedistas «teriam um período de adaptação ao terreno estendido no tempo, antes de iniciarem qualquer operação, o que dava hipótese para um eventual atraso na chegada a Cabul».

Ritual de despedida repetido

Os paraquedistas têm sido chamados a comparecer em Figo Maduro todos os dias, passando pelo ritual da despedida dos familiares várias vezes.

Em Cabul, em Camp Warehouse, o maior campo militar internacional do Afeganistão, os comandos esperam já sem bagagem e sem dinheiro, poderem regressar a casa. «A nossa retirada está a ser tratada pelas autoridades competentes em Lisboa. A única informação de que disponho é que serei informado da data do voo assim que for possível», disse ao EXPRESSO o comandante Pedro Gonçalves Soares, responsável máximo pela companhia de Comandos no Afeganistão. «A tropa continua firme nos seus postos a aguardar, apesar dos muitos compromissos familiares que tinham agendados estarem a exercer grande pressão emocional sobre eles».