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“Para Scolari hospedeira é aeromoça para Fernando Pinto sinergias=despedimento”

Trabalhadores da Portugália empunharam cartazes e gritaram palavras de ordem, esta manhã, em frente da sede da TAP. Os seus representantes foram recebidos pelo presidente Fernando Pinto que lhes reafirmou que o despedimento colectivo vai mesmo concretizar-se.

“Para Scolari hospedeira é aeromoça para Fernando Pinto sinergias=despedimento”,  “Luto na PGA” ou “Sr. Eng. Sócrates, Sr Eng. Fernando Pinto, Sr. Eng. Luiz Lapa: 17 anos a construir e 3 engenheiros a destruir” foram algumas das mensagens que se puderam ler durante a concentração dos trabalhadores da Portugália, que teve lugar esta manhã em frente da sede da TAP.

Estava previsto a entrega de uma carta à administração da TAP, mas os representantes dos trabalhadores acabaram também por ser recebidos pelo presidente Fernando Pinto, que reafirmou que o despedimento colectivo de 118 funcionários da Portugália vai mesmo concretizar-se.

“Não conseguimos evitar o despedimento” disse Jorge Lopes, do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) no final da reunião que durou cerca de uma hora. Resta agora aos trabalhadores recorrer à via judicial para garantir os seus direitos, acrescentou.

Na carta hoje entregue os trabalhadores exigem “um esforço concreto” da TAP e da Portugália para recolocar, em outras empresas do grupo TAP, os 118 trabalhadores que estão em risco de despedimento. Juntamente com a carta foram entregues fotografias e perfis de 60 trabalhadores que estão nessa situação.

De acordo com Jorge Lopes, o presidente da TAP comprometeu-se a dar prioridade aos trabalhadores da Portugália caso a TAP precise de mais trabalhadores.

"Declaração de intenções vale o que vale"

"Obtivemos um compromisso da parte de Fernando Pinto de que poderá haver a colocação de mais trabalhadores da Portugália no grupo TAP se tal se revelar necessário", explicou Jorge Lopes, considerando, no entanto, que nada de significativo se alterou em relação à situação dos funcionários em causa. "É uma declaração de intenções que vale o que vale", concluiu.

A marcha lenta e buzinão na zona do aeroporto de Lisboa, que antecedeu a concentração e a reunião com Fernando Pinto, contou com a participação de cerca de meia centena de trabalhadores

O protesto dos trabalhadores da Portugália surge depois de a TAP e do sindicato não terem chegado a acordo durante o processo de conciliação.

Numa primeira fase, a comissão de trabalhadores propôs o pagamento de 2,25 salários por cada 14 meses de trabalho na empresa, uma proposta que desceu para os 2 salários numa segunda fase.

Posteriormente, o SITAVA apresentou uma proposta de 1,75 salários, mas a TAP recusou sempre as propostas, não deixando espaço para negociações.

A TAP comprou a PGA por 144 milhões de euros, uma operação autorizada pela Autoridade da Concorrência a 5 de Junho, após sete meses de análise do processo.