Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Papa defende regresso do Latim às missas

Bento XVI abre portas aos católicos conservadores banidos pelo seu antecessor.

O Vaticano divulga no dia 13 de Março um documento papal sobre a eucaristia, defendendo um maior "decoro e sobriedade" nas celebrações. A exortação apostólica de Bento XVI "Sacramentum Caritatis" propõe diversas reformas litúrgicas nas missas, como a recuperação do canto gregoriano ou a música polifónica clássica, de modo a que o seu uso seja mais generalizado na celebração das missas.

O Sumo Pontífice pretende que sejam excluídas um conjunto de liberdades litúrgicas introduzidas à sombra da reforma conciliar do Vaticano II (1965), como as músicas de origem secular e os instrumentos "inadequados para o serviço litúrgico", o que significa dizer guitarras eléctricas e baterias, entre outros instrumentos.

Mas a mais singular reforma da "Sacramentum Caritatis" é a solicitação papal para que o latim seja usado com maior frequência nas celebrações (na missa e outros actos litúrgicos), contrariando assim uma disposição do Vaticano II que determinou o uso das línguas vernáculas em todos os actos litúrgicos da Igreja Católica.

Estas reformas foram discutidas durante a Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, entre 2 e 23 de Outubro de 2005, que fez chegar ao Sumo Pontífice, em Junho de 2006, um documento final sobre as meia centena de propostas elaboradas pelos prelados de todo o mundo.

Apesar de não se conhecer ainda todo o conteúdo do novo documento papal, só o facto de "propor" a adopção da missa em latim, já é olhada por observadores católicos no Vaticano como uma cedência de Bento XVI a um conjunto de sectores mais conservadores, como a Sociedade São Pio X, cujos seguidores foram considerados cismáticos pelo próprio João Paulo II.