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Paixões e desencontros de Paris

“Em Paris” e “Paris, Je T’Aime” são dois filmes em estreia esta semana que têm uma intima ligação com a cidade da luz.

Estreiam esta quinta-feira dois filmes cujas histórias são delineadas em torno das ambiências de Paris. Em “Paris, Je T’Aime” a cidade foi mesmo o ponto de partida. Duas dezenas de realizadores de diversas nacionalidades – desde nomes ligados ao cinema norte-americano como os irmãos Coen, Gus Van Sant, Wes Craven, até ao brasileiro Walter Salles ou ao francês Olivier Assayas – foram convidados a contar uma pequena história ambientada num dos bairros da cidade. O resultado é um puzzle de pequenos filmes sobre amor, alegria, separação e encontros inesperados.

“Em cada bairro existe um sub-mundo que raramente vemos e era isso que queríamos mostrar”, referiu Walter Salles sobre “Loin du 16ème”, a “curta-metragem” que rodou em colaboração com Daniela Thomas.

“Paris, Je T’Aime” cruza diversos universos entre inúmeras colaborações. Marianne Faithfull participa no filme de Gus Van Sant, Gerard Depardieu é realizador de uma película em que contracena com Gena Rowlands, Willem Dafoe é o herói de “Place des Victoires” do japonês Nobuhiro Suwa. Os pequenos filmes são apresentados em continuo, cada filme termina com a cena que dá início ao seguinte.

Embora de forma diferente, “Em Paris” é o outro filme que estreia esta semana que também tem a cidade da luz como pano-de-fundo. A capital francesa é o cenário das atormentadas deambulações de dois irmãos. Alguns dias antes do Natal de 2005 eles encontram-se os dois de novo a viverem na casa do seu pai. Paul (Romain Duris) – um trintão que acabou de se separar da sua mulher Anna (Joana Preiss) e do filho de ambos – não está nada bem, conforme nos esclarece logo o seu irmão Jonathan (Louis Garrel), que se apresenta como o narrador do filme. O pai (Guy Marchand) foi abandonado pela mãe e anda de robe o dia inteiro. Faz questão de preparar as suas canjas de galinhas para reconfortar o seu regressado filhinho. O irmão opta por outra estratégia, arrastando-o pela cidade em grandes farras. As imagens de Paris surgem carregadas de uma atmosfera densa, cheia de alusões ao cinema da "Nouvelle Vague".

Produzido por Paulo Branco, este é o terceiro filme do jovem realizador francês Christophe Honoré (autor de diversos livros para crianças, romances e antigo critico de cinema) que nos seus anteriores trabalhos já havia colaborado com os actores Romains Duris e Louis Garrel (“17 fois Cécile Cassard” e “Minha Mãe”).