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Pais de Braga elaboram petição

Maria de Lurdes Rodrigues mostra-se «irredutível» face à repetição de todos os exames nacionais do 12.º ano. Os pais dos alunos não desistem.

UMA dúzia de pais e encarregados de educação do distrito de Braga foram recebidos esta manhã no Governo Civil, para entregar uma petição onde manifestam a sua «indignação pela decisão discricionária, tomada por despacho, pelo Ministério de Educação, ao autorizar a repetição dos exames de Física e Química do 12.º ano».

No documento é pedido à ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues que esclareça «publicamente as razões subjacentes à decisão de permitir a uns e não a outros a repetição das provas» e que proceda à abertura de «um inquérito que permita responsabilizar publicamente os implicados neste lamentável processo». Mais, reivindicam «que seja aberta a todos os alunos que realizaram Exames Nacionais (11.º e 12.º anos) a possibilidade de repetirem as provas nas condições em que as vão realizar os alunos de Física e de Química do 12.º ano».

Ana Maria Bonifácio, do grupo de pais e encarregados de educação, explica que foram «bem recebidos pelo chefe de gabinete do Governador Civil, que se comprometeu a entregar hoje a petição» à ministra da Educação.

«O que é minimamente aceitável é que a situação de desigualdade criada pela senhora ministra seja desfeita», defende Ana Bonifácio que não compreende «porque é que só para alguns se abrem excepções».

A petição tem como finalidade pedir ao Ministério da Educação que seja dada a oportunidade a todos os alunos de fazerem melhoria de nota na segunda fase dos exames e não apenas aos que realizaram as provas de Química e de Física, mantendo a possibilidade dos estudantes se candidatarem à primeira fase de acesso ao ensino superior.

Segundo a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Maria de Lurdes Rodrigues está «irredutível», tendo rejeitado esta manhã - em declarações proferidas à saída da cerimónia dos 50 anos da Fundação Gulbenkian -, a possibilidade de repetir todos os exames do 12.º ano. A ministra irá ao Parlamento na próxima quinta-feira dar explicações sobre a forma como decorreram as provas.

Exame de matemática com mácula

Também o exame de matemática, no qual constava um erro no enunciado, merece o «chumbo» de Ana Bonifácio, professora de português numa escola secundária em Barcelos. A situação foi «remediada» com a atribuição da cotação máxima na pergunta, mas o tempo que os alunos perderam naquela questão em particular, «pode ter prejudicado o seu desempenho global no exame», refere. E pergunta, em tom de acusação: «Será possível os professores que elaboraram as provas não terem tido o cuidado de as realizar previamente?».

O facto de ser professora só lhe possibilita ter uma visão mais esclarecida das coisas, até porque não quer que esta seja confundida com uma luta de docentes. «Porque antes de ser professora sou mãe», desabafa.

Se as medidas agora tomadas por este grupo do distrito de Braga não tiverem resultados práticos, Ana Bonifácio promete não baixar os braços e accionar todos os meios legais que estiverem ao seu alcance. «Já falei com uma amiga advogada que me vai informar sobre os custos de entregar uma intimação ao Tribunal Administrativo, para obrigar a ministra a dar explicações sobre o despacho que emitiu, e estou também a estudar a possibilidade de interpor uma providência cautelar à saída dos resultados dos exames». «Há já muitos pais na disposição de dividirem comigo as despesas», conclui.