Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

“Ou Mendes toma conta de Lisboa, ou Lisboa vai dar cabo dele”

A vereadora do CDS considera que ainda é possível uma solução sem eleições antecipadas. E diz que Carmona “ganhou em pouco tempo todos os vícios da política”.

Qual o papel de Carmona Rodrigues neste processo? É cúmplice? É mentor?
Nenhum. Nenhum. A coisa mais extraordinária foi termos concluído na reunião da câmara [na quinta-feira] que o papel de Carmona Rodrigues foi nenhum.

É difícil de acreditar nisso. O que está a dizer faz dele um totó no meio deste processo. É isso?
Não. Eu penso que ele está ali emaranhado… O PSD, consciente do seu estado de degradação em Lisboa, levou aos eleitores um presente, que era um tecnocrata intocado pelos vícios da política. E o que é que nos saiu na rifa? Uma pessoa totalmente inexperiente, sem nenhuma capacidade de liderança e que ganhou em pouco tempo todos os vícios da política. É um «case study».

Porque é que não pede a realização de eleições intercalares?
Porque não vale a pena pedir eleições sem saber se os partidos que têm, pelo número de votos que recebem, a obrigação de criar alternativas, vão criar essas alternativas. As eleições intercalares não são a melhor solução mas encaminham-se rapidamente para ser a melhor solução possível. Se o PS vier dizer que está preparado para eleições intercalares, se o PSD não apresentar ainda no quadro desta maioria uma melhor solução – e pode fazê-lo – então vamos para eleições intercalares.

Qual seria essa solução que acha que Marques Mendes ainda pode adoptar?
Ele sabe qual é. Tem que lhe perguntar. Qualquer pessoa com bom senso que fosse presidente do PSD já tinha colocado a última solução que têm ali, imediatamente a seguir à saída do vereador Fontão de Carvalho. É pôr à frente da CML uma pessoa que poderia dar o refrescamento, que poderia restabelecer a confiança interna e externa, embora com grandes dificuldades, reconheço.

Se o PSD optasse por esse caminho, admite voltar a colaborar com o PSD na CML?
Colaborar é uma palavra vaga.

Admitiria voltar a coligar-se, como fez com Carmona Rodrigues?
Admito continuar a fazer o meu trabalho, votando favoravelmente aquilo que entenda que é bom para a cidade. Não vou fazer obstrução, mas também não assumo qualquer compromisso.

Mas essa saída que diz que ainda é possível poderia recuperar a sua confiança em relação à presidência da CML?
É uma solução que pode recompor alguma confiança, quer interna, quer externamente.

Se houver eleições intercalares, quem é que vê como seu principal adversário? O PSD ou o PS?
Acho que é este PSD de Lisboa, que me vê como uma grande adversária. Porque tem medo que eu conte a verdadeira história da Baixa-Chiado, a verdadeira história da ruptura da coligação, a verdadeira história da Gebalis, a verdadeira história da Direcção Municipal de Habitação. Apesar de tudo, este PSD tem pela frente uma pessoa educada em princípios que a levam a nunca – senão em legítima defesa – contar coisas que eu sei no âmbito do meu trabalho. O problema é que o PSD de Lisboa manda em Marques Mendes, que está distraído. Ele ainda não percebeu que ou toma conta de Lisboa, ou Lisboa vai dar cabo dele. Se não toma providências, Marques Mendes vai perder o partido a partir de Lisboa.