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“Os políticos têm que saber o que as pessoas desejam”

O politólogo Pedro Magalhães está optimista quanto ao eco da iniciativa entre os agentes políticos.

Os resultados da Consulta aos cidadãos portugueses consta de um relatório que servirá para elaborar uma exposição conjunta ao nível de toda a União Europeia e entregue às instâncias europeias, mas nada garante que a “voz” dos europeus seja ouvida.

Pedro Magalhães, o politólogo responsável pela iniciativa levada a cabo pelo Instituto de Ciências Sociais, está no entanto optimista quanto às consequências práticas do trabalho realizado: “Os políticos têm desejos, ambições e objectivos, para o que precisam de ser eleitos e, para tanto, têm que saber o que as pessoas desejam”.

O especialista considerou “sumamente positiva” a iniciativa, inédita na UE. “Há sinais para estarmos satisfeitos”, afirmou. “Muitas vezes os cidadãos queixam-se de que quem está no poder não os quer ouvir, mas também não aproveitam as oportunidades para que as suas convicções cheguem ao poder. Aqui, nós criámos uma oportunidade para que pelo menos a sua opinião seja incluída entre as fontes de informação dos agentes políticos”, declarou ao Expresso.

O facto das conclusões sobre as políticas sociais e a família terem sido tão abrangentes é explicado pelo politólogo pelo facto de Portugal se manter ainda uma sociedade muito igualitária, “legado do tipo de transição política que foi o 25 de Abril e da constatação de que, apesar do grande desenvolvimento e crescimento, há situações muito sérias de desigualdade”.

Recorde-se que, neste capítulo, os portugueses manifestaram-se a favor – embora com muitas divergências – da existência de directivas obrigatórias da União que garantissem reformas mínimas de qualidade, o não aumento de idade de reforma, de educação sexual nas escolas, ensino e saúde gratuitos, aumentos salariais inversamente proporcionais ao rendimento e igualdade entre homens e mulheres no trabalho, entre outras.

Sobre a não coincidência entre as “agendas políticas” e as “agendas dos cidadãos” Pedro Magalhães considerou que há “uma correlação directa entre a transnacionalidade de um problema e a sua solução” e citou o exemplo do ambiente e da energia, onde existe coincidência.

Inversamente, nas áreas da imigração que, do ponto de vista interno, são mais sensíveis porque jogam com outras prioridades sentidas pela população, como o emprego ou a identidade nacional, os governos têm tendência a atrasar e a hesitar.

Quanto às políticas sociais, são os próprios Estados-membros que têm interesses contraditórios entre si. “Para Portugal, é natural reclamar uma política europeia comum porque sabe que há outros Estados com melhores modelos sociais, mas para um dinamarquês, por exemplo, essa solução não lhe convém, porque percebe que o que tem é melhor do que aquilo que a UE lhe poderia dar”.