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Os «happy shots»

No Kosovo, os soldados portugueses ajudam a construir uma escola primária. Um jornalista local acredita que são pequenos gestos como este que vão tornar o futuro mais risonho para a sua filha de cinco anos.

Em Pristina, capital do Kosovo, os únicos tiros que se ouvem aos domingos são os da celebração de mais um casamento. Os chamados «happy shots». Pelas estradas esburacadas e cheias de condutores suicidas, passam dezenas de carros engalanados, com os noivos e seus convidados. Em muitos deles, vai pendurada a bandeira albanesa.

«A vida continua nos Balcãs», explica Nazim Haliti, jornalista de 30 anos que trabalha no diário Koha Ditore. Apesar do optimismo impregnado no seu discurso, Nazim continua preocupado com os obstáculos que atrapalham a paz no conclave: a pequena corrupção da polícia local, o mercado negro florescente e o divórcio litigioso entre a minoria sérvia e a maioria albanesa.

«Tenho uma filha de cinco anos. Quero que ela cresça num país mais estável». Ele veio fazer a cobertura jornalística da construção de uma escola primária da pequena localidade de Glavic, de 400 habitantes. «Pode parecer um pequeno passo, mas isto é muito importante para a nossa auto-estima», diz Nazim, olhando para os alicerces do edifício, onde 40 crianças de etnia albanesa vão aprender a ler e escrever já no próximo ano lectivo.

A escola está a ser erigida com a ajuda do 1.º Batalhão de Infantaria Mecanizada português, que dá apoio de engenharia – neste momento, são 300 os soldados portugueses que estão no Kosovo, integrados na Kfor. A importância é tal, que no local, nem falta a presença do presidente do pequeno município, vestido a preceito para a cerimónia. Só a chuva inesperada estragou o ambiente de festa.

«Um dia seremos um país a sério. Com boas escolas, estradas e edifícios», dispara Nazim, antes de partir para o seu carro, com o cabelo e roupa ensopada. A festa termina, em Glavic.