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Oposição quer ouvir presidente da EPUL

A EPUL não entregou toda a documentação solicitada pelos vereadores da oposição, assim como não está garantida a presença do presidente do Conselho de Administração (CA) da empresa, João Teixeira.

A Câmara Municipal de Lisboa realiza hoje uma reunião extraordinária, a pedido dos vereadores da oposição camarária, para esclarecer as dúvidas relativamente à gestão da EPUL-Empresa Pública de Urbanização de Lisboa. O encontro estava agendado para a próxima segunda-feira, mas a actual maioria da CML (PSD/CDS) antecipou para esta sexta-feira, um dia fixado pela autarquia como ‘ponte’. 

Para o vereador José Sá Fernandes (BE), esta reunião sobre a EPUL “começa mal”. Sobretudo, porque a autarquia só entregou parte da documentação solicitada “atempadamente” pela oposição, “e mesmo essa, tarde e a más horas”. No caso do gabinete deste vereador do Bloco de Esquerda, a recepção dos documentos ocorreu cerca das 20h de quarta-feira, véspera do feriado de 5 de Outubro.

“Por outro lado”, diz Sá Fernandes, “é inaceitável que o presidente do CA da EPUL considere que não é conveniente a entrega de parte da documentação requerida pelos vereadores eleitos da CML. Pior, é o presidente da EPUL pôr em causa que exista “interesse legítimo” por parte dos vereadores em consultar os referidos documentos. “Muito pior é o presidente da EPUL não perceber que os vereadores são os representantes do único accionista da empresa, aos quais não lhes pode ser sonegada uma informação”.

Carta Aberta a Carmona Rodrigues

Entretanto, um grupo de altos funcionários da EPUL enviou na passada quarta-feira, por e-mail, uma Carta Aberta ao presidente da autarquia, na qual referem o “clima” que se vive dentro da empresa, de “incerteza”, “ansiedade” e “vergonha”, além de um “sentimento de revolta silenciado pelo terror de ameaças de despedimento”.

A carta diz, também, que desde que Carmona Rodrigues “assumiu pelo primeira vez funções no executivo camarário, a EPUL já viu passar pelo seu CA 12 pessoas diferentes”. Acrescentando que “a lógica dos votos tem sido incompatível com a da adopção de políticas sérias e estruturantes. Sob a sem sentido mas repetida e eloquente frase da ‘confiança política, isentam-se os administradores escolhidos da mínima experiência, formação e capacidade em gestão empresarial”.

Aponta, ainda, “a evolução galopante do passivo da empresa, da má e apressada alienação do património a que temos assistido”, bem como “o completo desperdício de recursos humanos e de capital em projectos inconsequentes a que acresce um tremendo esforço financeiro para com a autarquia”. E questiona “o que fará (a EPUL) daqui a cinco anos quando esgotar os activos que tem em carteira”.

No documento, a que o EXPRESSO teve acesso, os trabalhadores justificam a falta de assinaturas, referindo que “a autenticidade desta carta pode ser facilmente comprovada” através de “inquérito à generalidade dos trabalhadores da EPUL, desde que se preserve o seu anonimato, pois são temidas represálias se a subscrição fosse nominal”. Ou seja, os referidos funcionários temem ser punidos com processos disciplinares.

O EXPRESSO confrontou a CML com o conteúdo dessa Carta Aberta, mas não obteve qualquer resposta.