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Operação "Guns N' Roses": Armeiros forneciam munições para crimes

Quatro armeiros são suspeitos de fornecimento de munições a pessoas ligadas ao submundo do crime e foram já detidos na operação "Guns N' Roses", apurou o Expresso.

Joaquim Gomes (www.expresso.pt)

A operação "Guns N' Roses", da PJ do Porto, que entre os 23 detidos, apanhou quatro armeiros suspeitos de fornecerem munições a gente do crime, resultou da investigação acelerada com o caso da encomenda do assassínio de um homem em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro.

A investigação já decorria há alguns meses, mas acelerou em Novembro de 2009 quando uma cartomante de nome Rosa, de Santa Maria da Feira, fez contactos com dois dos principais arguidos do caso das armas, "Cuca" e "Batuna", ambos de Gaia, conhecidos por dedicarem-se às "cobranças difíceis.

A cartomante teria na ocasião prometido dar-lhes 15 mil euros caso matassem o seu genro, Serafim, camionista de profissão, suspeitos de crimes de violência doméstica e por maus tratos à mulher, Marta, tal como às duas filhas do casal, de onze e de sete anos de idade, que entretanto foram acolhidas numa instituição para o apoio a vítimas de violência doméstica.

O papel dos quatro armeiros

O papel destes quatro armeiros seria alegadamente o fornecimento de munições a pessoas ligadas ao mundo do crime inibidas de usarem armas.

Segundo fonte da PJ, o esquema era simples. Como qualquer cidadão que está devidamente registado e manifestado, em termos de armamento, tem direito a comprar anualmente um determinado número de munições que geralmente não chega a adquirir na totalidade do que lhe é permitido, tais munições remanescentes seriam vendidas a marginais, em nome de quem tendo direito a comprá-las, não as adquiria na totalidade.

A PJ realizou 52 buscas, 45 das quais em residências e as restantes sete em estabelecimentos, quatro das quais em armeiros. Um deles é o conhecido Rodolfo, da Casa Pereira, na Rua Sá da Bandeira, no Porto, que estava já com pulseira electrónica em prisão domiciliária. O outro é dono da Real Armaria, da Rua do Almada, também no centro do Porto. O terceiro é o proprietário de uma espingardaria na Rua da Rasa, em Vila Nova de Gaia, enquanto o outro é dono de uma armaria em Salreu, Estarreja, distrito de Aveiro.

Agente da PSP entre os detidos

Um dos buscados é o agente Dinis, da PSP, residente em Vila D' Este, em Gaia, suspeito de envolvimento com o grupo, estando o polícia suspenso de funções na PSP do Porto. A única mulher detida é de etnia cigana e morava nos Carvalhos (Gaia), tendo sido ainda detidos dois irmãos e o pai de todos eles. O núcleo duro do grupo é constituído por nove suspeitos ("Grupo dos 9"), todos de Gaia e houve ainda uma outra busca com detenção, no Bairro do Cerco do Porto.

A Polícia Judiciária apreendeu dezenas de armas ilegais e milhares de munições e deteve cerca de 25 suspeitos, numa operação coordenada pelo mesmo juiz do processo "Face Oculta", que terminou hoje de madrugada.

A PJ revelou esta tarde em conferência terem sido imprensa terem sido apreendidas 17 pistolas de diversos modelos e calibres, 10 revólveres, 15 espingardas caçadeiras, quatro carabinas, cerca de uma centena de armas brancas (punhais, navalhas de ponta e mola, navalhas de borboleta e catanas) e ainda vários milhares de munições para armas de fogo de diversos tipos e calibres. Foram confiscados seis automóveis de gama alta, objectos de ouro com o peso total de cerca de quatro quilos, aproximadamente cinco mil euros em dinheiro e uma quantidade de haxixe adequada à confecção de cerca de 400 doses individuais, segundo acrescentou a Polícia Judiciária.

O tráfico de armas originou uma das maiores apreensões de sempre da PJ do Porto, que apreendeu dezenas de pistolas, revólveres e de caçadeiras já na operação desencadeada na terça-feira e que terminou na madrugada de hoje na Área Metropolitana do Porto.

Interrogatórios judiciais

A Secção Regional de Combate ao Banditismo (SRCB) da PJ do Porto fez 23 detenções, nas cidades do Porto, Gaia, Maia, Gondomar, Valongo, Amarante e Nelas, segundo fontes policiais revelaram ao Expresso. As buscas da PJ incidiram sobre um elevado número de suspeitos, da prática dos crimes de tráfico e intermediação de armas de fogo. Dos 30 suspeitos conduzidos para as instalações da PJ do Porto, 23 seguiram já hoje para o DIAP de Aveiro.

As buscas foram coordenadas pelo juiz António Gomes, o mesmo que foi responsável pelas detenções no processo "Face Oculta" e que interrogou, entre outros, Armando Vara, José Penedos e Manuel Godinho. "O caso é destinado a investigar o crime de tráfico de armas, muitas das quais usadas em assaltos à mão armada", acrescentaram ao Expresso as fontes judiciais.

Os detidos foram apresentados ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Aveiro hoje de tarde, a fim de serem submetidos ao seu primeiro interrogatório judicial, para aplicar as medidas de coacção. Após terem sido identificados individualmente, ao princípio da noite de hoje, o juiz calendarizou para quinta e sexta-feira os seus interrogatórios.