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OPA para todos os gostos

O plano Granadeiro conseguiu o que parecia impossível: agradou a gregos e troianos. Mereceu uma declaração positiva da Sonae e o voto unânime do Conselho de Administração da PT. Os representantes do Estado votaram favoravelmente.

À reunião, convocada de urgência na quinta-feira, só faltou a Telefónica para manifestar publicamente a sua avaliação das medidas. Por trás deste quase consenso estará o dedo do Governo, que, de observador da operação, terá passado a participante, ajudando a desenhar a solução capaz de satisfazer, mesmo que não totalmente, os intervenientes.

Paulo Azevedo, o rosto da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela Sonaecom sobre a Portugal Telecom, disse ao EXPRESSO na quinta-feira, logo após a conferência de imprensa para anunciar as medidas defensivas da PT, que, «perante este plano estratégico, a primeira coisa a fazer é assegurar que não há nada escondido. Não queremos que existam medidas anti-OPA escondidas. Se esta operação («spin-off»/separação da PT Multimédia) for feita com lealdade, é positiva para o mercado em geral. Eu votaria a favor». A declaração mais não será do que a reacção de um gestor que, podendo ver inviabilizado o projecto de controlar o grupo PT, não rejeitaria a conquista da rede fixa/TMN ou da rede cabo (PTM).

A colaboração de Rui Pedro Soares - administrador-executivo da PT, muito próximo de José Sócrates -, terá sido determinante para juntar consensos em torno do plano anunciado por Henrique Granadeiro. O pacote consiste no reforço dos dividendos (3,5 mil milhões de euros até 2008), na separação da PTM (sendo entregue 0,16 acções da PTM por cada acção da casa-mãe) e na contribuição de mil milhões de euros para o fundo de pensões nos próximos dois anos. Tudo dependente do falhanço da OPA da Sonae. O que interessa, contudo, é o que não se vê à primeira vista. Esta espécie de plano B para a Sonaecom, caso a OPA não vingue, poderia garantir a Paulo Azevedo ou a posse da rede fixa e da TMN ou a conquista da rede cabo. Os accionistas da PT ficariam com o que não ficasse com a Sonae e a Telefónica encontraria o caminho para a conquista da Vivo. E esta operação agrada a quem esteja a preparar uma OPA concorrente. Os maus resultados da PT e a sobrevalorização actual da PTM estão a tornar difícil oferecer um preço superior ao da Sonae.

Politicamente, as medidas avançadas pela PT são inatacáveis. Granadeiro pronunciou palavras mágicas para Sócrates: «Mais remuneração accionista, mais empregos, mais investimento, mais benefícios para os consumidores». Sem contar os benefícios para os consumidores: mais concorrência, mais ofertas e a promessa de menores preços. A PT quer contrapartidas dos reguladores, sobretudo a permissão para a introdução de minutos na assinatura.