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Atualidade / Arquivo

Onze menores foram maltratados durante anos pela mãe adoptiva

A adopção tornou-se um pesadelo para 11 jovens com necessidades especiais que eram mantidos prisioneiros e maltratados pela mulher que os adoptou. O objectivo das adopções era apenas obter o subsídio da Segurança Social.

Foi um cenário devastador aquele que a polícia encontrou na casa de Judith Leekin, de 62 anos, na Florida. Adolescentes e jovens maltratados, com marcas físicas de abusos violentos, desorientados, sem saber ler ou escrever.

“Horrível é o melhor adjectivo que encontro para descrever o que se passava naquela casa”, disse o responsável da polícia Scott Bartal.

A casa, que começa a ser conhecida como “a casa dos horrores”, era onde 11 jovens e adolescentes eram mantidos prisioneiros pela mãe adoptiva, Judith Leekin.

Pena de prisão pode chegar a 190 anos

A mulher adoptava crianças com necessidades especiais, como fonte de rendimento. Os 55 dólares diários que recebia da Segurança Social são a sua única fonte de subsistência conhecida até agora. Ao todo, lucrou 1.26 milhões de dólares em subsídios estatais.

A mulher, que enfrenta uma pena que pode chegar aos 190 anos de prisão, nega as acusações. Judith Leekin começou a adoptar crianças em 1988, quando vivia no bairro Jamaica em Queens, Nova Yorque. Depois da última adopção, em 1998, mudou-se para a Florida.

Abandonada a mais de 300 quilómetros de casa

A situação foi denunciada à polícia, a 4 de Julho, quando a mulher abandonou Tracey Wells, uma das suas filhas adoptivas, a mais de 300 quilómetros de casa. Na sequência da denúncia, a polícia e a Segurança Social foram a casa de Leekin, mas só encontraram mais uma criança. Mais tarde, numa segunda visita, descobriram que as crianças estavam escondidas sob as ordens de Judith.

Stephen Wells, outra das crianças adoptadas por Leekin e irmão de Tracey, contou à polícia os abusos que sofreu ao longo de 15 anos. Foi forçado a dormir, amarrado, numa cave fria, sem direito a ir à casa de banho, e um dia, Judith cortou-lhe a mão com uma lata de leite condensado, punindo-o por se ter urinado

As autoridades afirmam que as crianças não tinham acesso a cuidados de saúde e alimentação básicos e raramente saíam de casa. Segundo relatos recolhidos pela polícia, as crianças eram vigiadas em casa através de um sistema de auto-vigilância montado por Leekin, e sempre que aparecia uma visita supresa as crianças eram escondidas e fechadas.

Antigo namorado confirma maus tratos

Para manter o esquema e continuar a receber o dinheiro, Judith forjava boletins escolares para mostrar à Segurança Social, inventado o percurso escolar das crianças.

Judith nunca recorreu à mesma agência de adopção e utilizava vários nomes falsos cada vez que adoptava uma criança. Um antigo namorado disse à polícia que Leekin costumava gritar com as crianças e bater-lhes.

Os jovens, agora com idades entre os 15 e os 27 anos, eram ameaçados de morte para não revelar nada do que se passava. E mesmo depois de Judith ter sido presa continuam a temê-la.