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ONU veta oficiais da GNR

A GNR quis mandar para Timor oficiais inexperientes. As nações unidas chumbaram.

As Nações Unidas vetaram os nomes de três oficiais propostos pelo Comandante-Geral da GNR, Mourato Nunes para integrarem a missão da ONU que vai dar formação às forças policiais de Timor Leste. Este contingente de observadores internacionais de segurança integra também elementos da PSP.

A ONU pediu à GNR 41 militares – oficiais, sargentos e praças -, o número de candidaturas que foi enviado para Nova Iorque ao longo deste mês. Todos os candidatos estão a ser sujeitos a entrevistas pessoais e a pré-selecção é feita de acordo com regras definidas pelas nações unidas, conhecidas por todas as entidades convidadas.

Mas, foi precisamente uma dessas condições que não foi cumprida. A ONU exige que todos os elementos que façam parte das forças internacionais tenham, no mínimo, cinco anos de experiência profissional. O que não acontecia com os três tenentes.

O porta-voz da GNR confirmou ao EXPRESSO a incómoda situação. ‘‘Até agora foram entrevistados seis oficiais e desses, três não foram aprovados por não cumprirem o tempo exigido de experiência’’, esclarece.

Entretanto, a preparação do 2º subagrupamento Bravo, da GNR, que irá substituir, em Outubro, o actual contingente desta força de segurança que está em Díli, tem estado rodeado de polémica.

Tenente que matou suspeito seleccionado para Timor

Os militares que vão fazer parte deste grupo não gostaram de saber que os oficiais designados para os comandar não têm experiência nem em missões internacionais, nem em alterações de ordem públicas, que são o tipo mais usual de cenário que com que se podem confrontar em Timor. O mal-estar piorou quando se soube que um dos comandantes de pelotão seleccionado é Pedro Silva Nogueira, há três anos na GNR e com um processo crime ainda por resolver.

Nogueira é o mesmo tenente que há cerca de um ano, ao comando do destacamento de Sintra, no culminar de uma perseguição as três assaltantes, matou um e feriu outro. As averiguações estão a ser conduzidas pela  Inspecção-Geral da Administração Interna e pelo Ministério Público, a quem, foi pedida autorização para a viagem do oficial. Tal como os outros três oficiais escolhidos, Nogueira não tem experiência em missões internacionais. Só o comandante , capitão Jorge Barradas, pertence ao Batalhão de Operações Especiais da GNR, a elite em manutenção de ordem pública.

Nesta altura estão indicados para dirigir o segundo contingente, além do tenente Nogueira, um tenente que vem da Brigada de Trânsito e um alferes destacado no serviço de obras e limpeza do comando da GNR.

O porta-voz oficial da GNR recusou-se a confirmar a escolha destes nomes, justificando que «o comandante-geral só assina o despacho de nomeação na próxima semana. Até lá, todos os nomes são provisórios». A mesma fonte frisou que «qualquer pessoa que vá representar a GNR em missões internacionais, cumprirá, com toda a certeza, todas as condições legais e operacionais para o comando de tropas».

Quer a GNR, quer a PSP vão ver o seu efectivo aumentado em Timor , para um total de 250 efectivos. A visita esta semana a Timor do ministro da Administração Interna, António Costa – marcada por vários confrontos em Dili – serviu para anunciar o pedido do Governo timorense para a GNR duplicar os seus efectivos.