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ONU contra "salas de chuto"

A criação das salas é condenada pelas Nações Unidas por permitir que sejam impunemente consumidas drogas ilícitas. O presidente do IDT, João Goulão, diz que isso não é “motivo bastante” para se desistir da sua implementação.

O Órgão Internacional de Controlo de Estupefacientes (OICE), das Nações Unidas, desaconselha no seu último relatório a criação de "salas de chuto" por violarem as regras internacionais, segundo as quais as drogas devem ser apenas usadas para fins médicos e científicos.

O presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), João Goulão, contra-argumenta afirmando que “não é tão liquido assim que as 'salas de chuto' desrespeitem as regras internacionais”, referindo que esta posição da OICE é “conhecida, recorrente e não surpreende”, não sendo “motivo bastante para o IDT abdicar de uma ideia que tem defendido”.

O relatório da OICE referente a 2006 realça que a criação de espaços para consumir droga com assistência médica acarreta o uso, nesses locais, de estupefacientes adquiridos no “mercado ilícito” com “toda a impunidade”.

As "salas de chuto" já existem em alguns países europeus, como a Espanha, Suíça e a Holanda, em Portugal há diversos municípios, como o de Lisboa, com projectos para avançar para a sua criação. João Goulão diz que a posição do IDT é apoiada pela experiência bem sucedida em outros países e que as salas de chuto podem ser uma forma de levar os toxicodependentes a terem contacto com o Serviço Nacional de Saúde e optarem por recorrer a um tratamento.

O Governo socialista de António Guterres, fez aprovar no Parlamento uma proposta de despenalização das drogas leves e que admitia a possibilidade de virem a ser criadas "salas de chuto", tendo contado com o apoio do PCP, Bloco de Esquerda e Partido Ecologista "Os Verdes".

Os defensores da sua criação argumentam que são uma forma de garantir a poio médico e social aos toxicodependentes, diminuindo a proliferação de doenças associadas ao consumo de drogas e o acompanhamento dos drogados com o objectivo de conseguir a sua cura.

Os opositores consideram que se trata da legalizar e fomentar o consumo das chamadas drogas "duras" como a heroína e a cocaína.