Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

ONU alerta para crise sanitária na Ásia

As inundações no sul da Ásia fizeram mais de 450 mortos, criando condições favoráveis ao aparecimento de epidemias de doenças infecto-contagiosas.O pesadelo está longe de acabar: prevê-se que a chuva volte a cair dentro de 48 horas.

Depois de provocar mais de 450 mortes e afectar 30 milhões de pessoas, as inundações colocaram o sul da Ásia na iminência de uma crise sanitária, advertiram hoje as Nações Unidas (ONU). Em comunicado, o secretário-geral desta organização, Ban Ki-Moon, lamentou a devastação provocada pela chuva, manifestando-se preocupado com os milhares de deslocados que enfrentam agora a escassez de comida e água potável, associadas ao risco de epidemias de malária, leptospirose e dengue.

O sul da Ásia tem estado a ser fustigado pelas chuvas das monções desde há duas semanas, com a subida do nível das águas a submergir aldeias inteiras no Nepal, Índia e Bangladesh. Entretanto, as chuvas pararam e o nível das águas começou a descer, mas as águas paradas, o corte das comunicações e a falta de água potável tornaram precárias as condições de salubridade na região.

Ajuda humanitária dificultada

Segundo o responsável pelo Fundo das Nações Unidas Para a Infância (UNICEF) na Índia, Marzio Babille, milhões de crianças (40 por cento da população do sul da Ásia) estão em risco de uma crise sanitária eminente por causa das inundações. É que as águas estagnadas são terreno fértil para doenças como a diarreia ou a malária potencialmente a um nível epidémico.

As autoridades indianas registaram já pelo menos mil pessoas doentes com cólera e gastroenterites. No Bangladesh, a Organização Mundial de Saúde (OMS) registou 1.400 casos de diarreia nas últimas 24 horas.

A UNICEF refere que o difícil acesso a numerosas regiões e o corte das comunicações provocado pelas inundações está a dificultar as operações de ajuda humanitária, que são feitas frequentemente com recurso a embarcações ou meios aéreos. O programa alimentar desta organização tem estado a distribuir ajuda de emergência no Bangladesh e no Nepal, segundo o porta-voz da organização em Genebra. No entanto, a Índia não pediu ajuda.

A ONU e a organização Não-Governamental Oxfam estimaram em vários milhões de dólares o montante da ajuda indispensável para atender aos cerca de 28 milhões de pessoas deslocadas. Só na Índia, a ocorrência de chuva durante mais de uma semana afectou mais de 20 milhões de pessoas, sobretudo nos Estados de Assam, Bihar y Uttar Pradesh. Desde o início de Junho, mais de 1.200 pessoas morreram naquele país em consequência da forte precipitação.