Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Obras Públicas: Dificuldades atuais justificam adiamentos

António Mendonça, ministro das Obras Públicas, justificou o adiamento da terceira travessia do Tejo e do novo aeroporto de Lisboa com a crise económica.

O ministro das Obras Públicas, António Mendonça, justificou hoje com "as dificuldades económicas e financeiras atuais" o adiamento da construção da terceira travessia do Tejo e do novo aeroporto internacional de Lisboa.

António Mendonça asseverou que, apesar do adiamento da construção da terceira travessia do Tejo, que vai assegurar a ligação em linha de alta velocidade entre Lisboa e Poceirão, "não está em causa a ligação [em alta velocidade] entre Lisboa e Madrid" em 2013.

"Há ligações técnicas de transição" que podem ser adotadas, afirmou o ministro, sem especificar quais.

Nada decidido sobre a construção do aeroporto

O governante, que intervinha na cerimónia de assinatura do contrato do troço de alta velocidade Poceirão-Caia, argumentou ainda que a terceira travessia do Tejo "é uma Parceria Público Privada mais dependente das condições de mercado para o seu financiamento", o que constitui uma "diferença significativa" face ao troço hoje contratado.

Quanto ao novo aeroporto internacional de Lisboa, António Mendonça lembrou que "nada estava decidido relativamente ao modelo de construção" e que o Governo pretende "garantir" que a sua decisão "não seja em função de condições conjunturais".

"Neste sentido, resolvemos protelar a decisão relativamente ao modelo de construção do novo aeroporto, esperando para ver como é que a situação económica e financeira vai decorrer", afirmou o ministro.

Durante a cerimónia, na qual esteve presente o anterior ministro da pasta, Mário Lino, António Mendonça destacou que o avançar com a construção do troço Poceirão-Caia não é "um capricho".

Qualificação do tecido empresarial

É "uma necessidade, para que o país possa reforçar as suas ligações internacionais e ter impactos muito significativos", em "termos económicos gerais" e na "qualificação do seu tecido empresarial", frisou.

A título de exemplo, António Mendonça referiu que "hoje, o custo de transporte de um contentor de 20 pés entre Lisboa e Madrid através de ferrovia chega ao 340 euros. O preço do mesmo transporte através de rodovia é de cerca de 230 euros; com a nova ligação Lisboa-Madrid, os operadores ferroviários privados estão já a preparar-se para vir a oferecer ao mercado um valor de apenas 95 euros".

A controvérsia que tem existido sobre a construção da ligação em alta velocidade em Portugal teve também reflexos na intervenção de Pedro Gonçalves, presidente da ELOS - Ligações de Alta Velocidade, a sociedade com quem foi hoje assinado o contrato da concessão do troço Poceirão-Caia, que defendeu que as empresas necessitam de "um quadro claro para o desenvolvimento da sua actividade futura".

"Não podem ser chamadas a dimensionar-se para picos de investimento e serem apanhadas ao virar da esquina com a necessidade de terem de reorientar totalmente os seus recursos", alertou.

1494 milhões de euros em investimento

O contrato do troço de alta velocidade Poceirão-Caia é o primeiro contrato do projeto português de alta velocidade ferroviária e fará parte da futura linha de alta velocidade Lisboa-Madrid.

O investimento global neste troço, que deverá entrar ao serviço em 2013, ascende a 1494 milhões de euros, segundo uma informação divulgada pela Soares da Costa em dezembro.

Este valor inclui os custos do investimento e os encargos inerentes à manutenção ao longo do período da concessão (40 anos).

A partir de hoje, o Tribunal de Contas tem seis meses para se pronunciar sobre o contrato e, caso recuse o visto prévio, o Estado assumirá os custos e despesas incorridos pela concessionária.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Clique para ler a Nota da Direcção do Expresso sobre o novo Acordo Ortográfico.