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Obama e Karzai fazem as pazes

Barack Obama promete não abandonar o Governo afegão depois do início da retirada militar americana em Julho de 2011 e dá os parabéns a Hamid Karzai por acolher os talibã no poder.

Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA

No passado, Barack Obama criticou a mentalidade de Hamid Karzai e o seu governo ineficiente. O líder afegão mostrou-se, publicamente, surpreendido com as declarações pouco amigáveis, associando-as à inexperiência do Presidente americano.

Hoje os dois reuniram-se em Washington e no final do encontro, durante uma conferência de imprensa, revelaram-se mais sintonizados.

O Presidente americano deu os "parabéns" ao homólogo afegão pela "política de porta aberta", que contempla o diálogo e partilha de poder com os talibã que aceitem renunciar à violência e respeitar a Constituição, nomeadamente a sua componente de direitos humanos.

Com o início da retirada militar americana prevista para Julho de 2011, Obama afirmou que a decisão não significa o abandono do país. "A nossa cooperação não se esgota ao nível militar. Depois de Julho de 2011 continuaremos interessados num Afeganistão seguro, pacífico, mais próspero e bem governado".

A estabilidade afegã está, directamente, relacionada com o que se passa na região fronteiriça com o vizinho Paquistão, onde alegadamente forças talibã e da Al-Qaeda resistem. Ambos os presidentes reconheceram-no.

Obama considera mesmo que existe "um cancro naquela zona do globo" e que a melhor forma de o combater é através "mais cooperação com as autoridades de Cabul e Islamabade".

Karzai e Obama trocaram agradecimentos e no fim aceitaram comentar o suposto mau relacionamento dos dois. "Haverá sempre tensão num ambiente tão complicado. Os nossos militares estão no terreno a fazer sacrifícios enormes, por isso as nossas conversas terão sempre de ser muito francas", disse o líder americano. Karzai foi mais sucinto: "Há dias em que estamos mais bem-dispostos do que noutros".

O Presidente afegão parte hoje para Cabul, depois de uma visita de dois dias aos EUA.