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O truque de ignorar o PSD

DESACREDITAR é a palavra-chave da estratégia do primeiro-ministro (PM) para gerir as propostas que a oposição, sobretudo o PSD, lhe tem lançado sobre a mesa. Sem excepção, Sócrates desvalorizou todas as soluções alternativas que o maior partido da oposição apresentou nos últimos meses em áreas-chave da governação. E nem o facto de as propostas de Marques Mendes irem ao encontro dos temas que Cavaco Silva considera exigirem pactos de regime tem comovido José Sócrates.

Na semana passada, em entrevista à SIC, o PM afastou o PSD de uma das principais decisões políticas na forja - a escolha do Procurador-Geral da República - quando, interrogado sobre se tencionava ouvir o maior partido da oposição, ignorou liminarmente o PSD e limitou-se a referir as exigências da lei, ou seja, apenas garantiu que Cavaco terá uma palavra a dizer.

No geral tem sido assim: Sócrates menoriza as propostas sociais-democratas: quando Marques Mendes sugeriu que Bruxelas financiasse rescisões na Função Pública, o PM aproveitou as reticências da UE para aconselhar o PSD a estudar e nunca se pronunciou sobre a questão de fundo; e voltou a ser assim quando, na semana passada, o líder da oposição propôs um regime misto para assegurar a sustentabilidade da Segurança Social e o Governo refugiou-se num pré-acordo com os parceiros sociais para acusar o PSD de chegar tarde.

Antes, não tinha sido diferente com as propostas dos sociais-democratas para a Educação ou para a Justiça, onde os sinais de abertura ao diálogo ainda não deram fruto. Marques Mendes vai exercitando a paciência. À espera que o tempo lhe dê razão.