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O regresso da dupla “da treta”

António Feio e José Pedro Gomes, a equipa da “Conversa da Treta”, reencontram-se nos palcos em “2 Amores”, a comédia que estreia terça-feira no Teatro Villaret.

Tal como nas antigas comédias do cinema português, em “2 Amores” há uma grande mentira que a todo o momento está prestes a ser desmascarada, obrigando a uma sucessão de novas mentiras, um alucinante imbróglio no qual o protagonista e o seu "cúmplice" têm de se envolver para evitar o iminente descalabro da situação. 

“É uma comédia de equívocos, de portas, de mentiras, de fugas para a frente que ainda acabam por criar mais confusão”, esclarece ao EXPRESSO António Feio, sobre a peça que encenou e leva pela primeira vez a cena na terça-feira, ao Teatro Villaret, em Lisboa.

“2 Amores” marca o reencontro nos palcos de António Feio e José Pedro Gomes (recomposto do aneurisma o colocou em risco de vida em 2005). Os actores da famosa "Conversa da Treta" voltam a contracenar, desta feita ao lado de outras caras conhecidas do grande público como Maria Henrique, João Didelet, António Machado e Cláudia Cádima.

O protagonista é João Santos (José Pedro Gomes), um simpático taxista casado com duas mulheres (Maria Henrique e Cláudia Cádima), que não fazem a mínima ideia da existência uma da outra. Entre os seus turnos ao volante, e uma agenda extremamente bem organizada, o taxista conseguiu até à data manter a sua existência bígama sem sobressaltos de maior, mas um inesperado incidente, no qual salva uma velhinha de ser assaltada, ameaça fazer as suas duas vidas paralelas se cruzarem. Atordoada, a velhinha acaba por o agredir e fazê-lo passar a noite entre a esquadra da polícia e o hospital, mas, o pior de tudo, é que o caso o transforma numa espécie de herói, trazendo-lhe uma muito inconveniente notoriedade. Simão Horta (António Feio) é o vizinho que acaba por se ver envolvido na história e que a todo o custo vai ajudar o taxista a impedir que a verdade venha ao de cima.

"Tal como todas as grandes comédias, esta é uma peça que pode ser remontada em qualquer altura. A essência está na relação das personagens e não nos factos", refere António Feio. Escrita há cerca de 30 anos, “2 Amores” é uma das inúmeras comédias do dramaturgo britânico Ray Cooney. O encenador considera ser “uma peça sem grande profundidade, mas que tem outras vantagens, que cria uma grande empatia com o público para o humor”.

O tipo de reportório com o qual António Feio tenciona continuar fazer o "grande público" regressar teatro e contribuir para voltar a enraizar hábitos que se perderam nos anos mais recentes, nomeadamente o das comédias no Villaret.