Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

O Pontal onde Menezes foi popular e Mendes populista

No jantar do PSD na Festa do Pontal, na Quarteira, o presidente do partido foi pontual, mas não empolgante, nem quando propôs mais poderes para a região algarvia. Menezes atrasou-se mas recolheu o aplauso dos presentes e, mais tarde criticou o líder por aquilo a que chamou «discursos à la carte».

Às 21 horas Marques Mendes iniciava um périplo pelas mesas distribuídas num dos cantos da marginal, num mega jantar de 1500 militantes religiosamente cumprimentados pelo líder. Sem pinga de entusiasmo.

Um lugar na mesa de honra era-lhe reservado, enquadrado por Mendes Bota (presidente do PSD Algarve e apoiante confesso de Menezes) e Macário Correia (vice-presidente do PSD e correligionário de Mendes). Só meia hora depois chegaria o seu concorrente para as eleições directas do partido, Luís Filipe Menezes, e só então o programa da festa se iniciava.

A popularidade de Menezes...

Desde logo com a entrada de Menezes que, ao contrário de Mendes, seguiu entre aplausos e abraços para uma mesa distante da que estava destinada aos ilustres convidados. Desta forma e como se se tratasse de um anónimo militante Menezes não fugiu dos holofotes, antes os desviou, por instantes, da mesa de honra, o suficiente para pontuar num teste de popularidade.

Os dois candidatos não se cruzariam na festa e, por isso, diria Menezes, «não se cumprimentaram». Ainda assim o diálogo entre dois persistiria.
Já na hora do discurso mais aguardado, Marques Mendes evitaria as quezílias internas. E, na verdade, o adversário externo uniu as hostes, mas as propostas de solução política voltariam a dividir.

...as promessas de Mendes…

O líder social-democrata apelidaria José Sócrates de «mestre do disfarce» e destacaria então a quebra do «medíocre» crescimento económico no 2º trimestre deste ano – «praticamente o pior dos 27 países da EU» – em contraponto com «a propaganda oficial»; apontaria as promessas eleitorais socialistas em comparação com a prática de «arrogância (…) e insensibilidade social» do governo perante o desemprego e a «falta de esperança» dos jovens licenciados; sublinharia a situação da classe média – «motor do país e alavanca do desenvolvimento da sociedade» - que, na leitura de Marques Mendes, tem sido «destruída» pelo executivo socialista, tudo a «justificar o estado de alma dos portugueses - «desilusão», «desencanto» e «revolta». Revolta foi, aliás, uma peça chave do seu discurso que Menezes no final salientaria.

Já no plano das propostas, o líder social-democrata prometeu, para o início da sessão legislativa, «a criação de um programa especial de redução de listas de espera nas doenças de cancro»; propôs «um programa de apoio Pequenas e Médias Empresas (PME), defendendo a baixa progressiva dos impostos sobre a classe média, como uma «imperiosa necessidade»; garantiu defender no parlamento, através de proposta, a alteração do modelo de educação, designadamente no plano da gestão das escolas, sustentando a necessidade de cada estabelecimento de ensino contar com «um director, gestor profissional, escolhido por concurso»; por último, Mendes anunciou ir apresentar um projecto de Lei para reforçar os poderes da Junta Metropolitana do Algarve.

…e os discursos «à lá carte»

Se ao longo de todo o discurso Mendes procurou a bandeira que envolvesse os militantes, no final, com a deriva regionalista, o líder parece ter optado por circunscrever esse propósito aos algarvios. Na verdade, a julgar pelo entusiasmo dos presente, Mendes seria sempre muito mais empolgado que empolgante. No final e em comentário, Menezes diria ser preciso «dar alma e ânimo ao discurso do partido, porque descontentamento e desencanto existe e militantes mobilizados estão aí».

Mas foi na proposta regionalista que Menezes procurou rasgar o discurso de Mendes: «Temos que apresentar propostas de âmbito nacional e não ter proposta de uma cor no Algarve, de outra cor em Trás-os-Montes, para agradar circunstancialmente a este ou àquele eleitorado ou a determinados militantes em determinada circunstância partidária. Não podemos ter discursos ‘à lá carte’», rematou.