Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

O pior dos cenários

Instituto Federal Eleitoral deu Felipe Calderón como o grande vencedor. Esquerda rejeitou os resultados e já convocou os seus apoiantes para manifestações.

O CANDIDATO da direita, Felipe Calderón, é dado como vencedor das eleições presidenciais no México, com 35,88% dos votos, mas o seu adversário de esquerda, Andrés Obrador, que obteve 35,31%, vai impugnar os resultados e convocou os seus apoiantes para manifestações de protesto, hoje, na capital e nas principais cidades do país. Está servido o cenário-catástrofe que alguns analistas receavam: um «empate técnico», que faz prever seis anos de Governo fraco e contestado.

O Partido da Acção Nacional (PAN), de Calderón, multiplica os gestos apaziguadores. O que aconteceu nos últimos dias foi uma série de golpes de teatro. Logo depois do fecho das urnas, no domingo, Calderón e Obrador autoproclamaram-se ambos vencedores. O Instituto Federal Eleitoral (IFE) prometera a divulgação dos resultados para quarta-feira, mas Obrador exigiu a recontagem dos votos, depois de constatar uma diferença de três milhões entre o número de votantes e de votos contabilizados.

Nessa altura, Calderón era dado como vencedor, com 1% de vantagem sobre Obrador. O IFE autorizou a verificação pública das actas «duvidosas», mas não a recontagem manual dos votos. Ao meio-dia de quarta-feira, Obrador mantinha a liderança, com 2,5% de avanço. Mas a diferença foi diminuindo e, após uma maratona de 31 horas, Calderón foi dado como vencedor, com 0,57 % de vantagem. O Tribunal Eleitoral terá agora até 31 de Agosto para resolver o imbróglio.

Os ânimos dos vencidos estão todavia exaltados. Por todo o país, reacenderam-se conflitos. O Partido Revolucionário Institucional (PRI), arrasado pela derrota do seu candidato Roberto Madrazo (22,2%) e a perda da maioria no Parlamento, pela primeira vez desde 1929, promete ser neutral. «O pior é que a autoridade do IFE ficou desfeita e que as pessoas estão convencidas que favoreceu o PAN»,disse um dos observadores internacionais.