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"O meu espaço é o espaço não socialista"

O CDS deve falar com os que estão desiludidos com José Sócrates.

O espaço de que está a falar é o espaço do PSD…
Quando eu digo que quero construir um partido de centro-direita contemporâneo, credível, moderado, muito prático nas soluções e muito concreto nas respostas, isto significa a área de quem não é socialista.

Portanto, o espaço do PSD.
Eu digo o espaço não socialista. Nesse espaço não socialista tradicionalmente há duas forças. Quando os dois partidos não estão coligados, é normal que eu procure disputar eleitorado em todo o espaço não socialista, como é normal que eu procure ouvir e falar com pessoas que estão desiludidas com José Sócrates.

E desiludidas com Marques Mendes também?
Sabe que ser oposição não é fácil em Portugal, eu não vou fazer críticas pessoais, primeiro porque me dou bem com Marques Mendes, segundo, porque fui seu colega de Governo.

Mas está a torcer para que ele continue como líder do PSD, não está?
Mal vão os partidos que querem interferir nas escolhas de liderança dos seus concorrentes. Eu nunca fiz depender uma decisão política minha do que suceda noutros partidos ou noutras forças. Repito: o projecto que me mobiliza implica muita paciência, muita determinação, não é de cosmética. É preciso trazer o centro-direita para o futuro, isso implica consistência, é um trabalho que levará anos e eu tenho a disposição dessa paciência.

Já falou do que aprendeu com a passagem pelo Governo. Mas o que é que correu mal na coligação? O resultado das legislativas foi eloquente, nunca a direita teve um resultado tão mau desde 1975.
E atenção: a soma do centro-direita nos indicadores de opinião aponta para a persistência desses maus resultados.

A direita continua a pagar o preço da coligação?
O centro-direita. Eu aprendi bastante e até fui penalizado, embora não tivesse responsabilidade nem directa nem indirecta. Acho que para qualquer eleitor a forma como o XV Governo (Durão) acabou, e a forma como o XVI Governo (Santana) entrou, não são lineares e para muitos são criticáveis. A confiança política que é essencial entre um governo e um povo, sobretudo em momentos de enorme dificuldade do país, passa pela estabilidade dos mandatos. E nós pusemos em risco essa estabilidade. Nós coligação, não nós CDS.

Acha que ainda estão a pagar o preço da presidência da Comissão Europeia?
As pessoas resolveram esse assunto em 2005, penalizaram, disseram claramente que não tinham gostado. E no momento em que me apresento é importante dizer às pessoas que eu tenho consciência disso.