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O mestre do jazz

Poucos músicos tiveram tão grande importância para a história do jazz, como Miles Davis. O mestre do trompete morreu há 15 anos.

A maioria dos grandes músicos são conhecidos pelo seu forte contributo para um determinado estilo musical. Miles Davis destacou-se dentro de vários. Bebop, cool-jazz, jazz-funk, jazz-rock, hard-bop, post-bop, modal music,… O mestre do trompete, que morreu faz hoje 15 anos, esteve na linha da frente de quase todos os movimentos que floresceram dentro do jazz entre a segunda guerra mundial e o principio dos anos 90.

“Ele é a coluna vertebral do jazz das últimas décadas”, afirma sem hesitar o autor do famoso programa de rádio “5 Minutos de Jazz”, Júlio Duarte, referindo que recomenda sempre aos seus alunos a discografia de Miles Davis. “Teve uma importância definitiva para o jazz, desde que nos anos 40 gravou pela primeira vez com Charlie Parker até quando, mais tarde, ousou roubar ao rock a sua batida, o que causou muita polémica e uma autêntica revolução, porque nunca no mundo do jazz se tinha passado tal”, acrescenta Júlio Duarte.

Sem dúvida um dos músicos mais inovadores e criativos do século XX, Miles tocou com gente de várias gerações: John Coltrane, Gil Evans, Herbie Hancock, Chick Corea, Dave Holland ou Quincy Jones, entre muitos outros.

Natural de St. Louis, Illinois, era filho de um dentista e de uma professora de música. A sua mãe, Cleota Henry Davis, era pianista de blues mas preferia ocultar esse facto ao seu filho, por considerar a “música negra” demasiado abrupta. Pretendia que Miles aprendesse a tocar violino, mas acabou por ser o trompete o instrumento que ele adoptou logo aos 12 anos, quando começou a ter aulas de música. Aos 16 já tocava em bares e participava em digressões durante os fins-de-semana.

Um ano mais tarde acabava o liceu e tomava contacto com a Billy Eckstine’s Big Band, da qual fazia parte o trompetista Dizzy Gillespie e o saxofonista Charlie Parker, os arquitectos do emergente bebop. O conhecimento teve tanto impacto que se deixou contagiar pela euforia do novo estilo musical. Mudou-se para Nova Iorque, onde em breve começaria a tocar em clubes com Charlie Parker, iniciando uma longa e frutuosa carreira profissional, ao longo da qual, tal como acontece com inúmeros músicos de jazz, passou por um período de dependência de heroína, nos anos 50. No final da década de 60 "electrificou" o jazz, o que causou forte polémica, mas ao mesmo tempo contribuiu para levar o género musical para públicos que habitualmente dele estavam afastados.

Apesar dos diversos estilos pelos quais se aventurou, a música de Miles manteve sempre características facilmente reconhecíveis. "Veio incluir no jazz uma beleza calma, uma doçura e um floreado muito próprio, que esteve sempre presente indepentemente dos músicos com que tocou", refere Júlio Duarte.

A 28 de Setembro de 1991, Miles morreu com 65 anos devido a problemas cardio-vasculares. Ficou para a história como um dos grandes ícones do jazz e da música no geral. Em 2006 foi inscrito Rock and Roll Hall of Fame, anteriormente já fazia parte do St. Louis Walk of Fame e no Big Band Jazz Hall of Fame.