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O enigma do petróleo na Guiné

A polémica sobre a existência de «ouro negro» na Guiné continua, mas a Petroguin garante que «a realidade no terreno» é bem diferente. 

A Guiné não assinou qualquer acordo para a exploração de petróleo e as sondagens que vêem sendo efectuadas no offshore nacional ainda não revelaram a existência deste mineral com valor comercial, garantiu ao EXPRESSO um responsável técnico da Petroguin.
Os dirigentes desta empresa pública, detentora do monopólio das negociações petrolíferas na Guiné-Bissau, estão intrigados com as frequentes alusões relativas à existência do «ouro negro» no país, que afirmam «não corresponder à realidade no terreno». Após uma viagem ao estrangeiro, um governante afirmou recentemente que havia acordo para «desenvolver campos petrolíferos», que a Petroguin diz «desconhecer por completo».
A Petroguin apenas admite que em 2004 «houve descobertas encorajadoras de petróleo não comercial, mas só deverão ser confirmadas em 2007». Contudo, reconhece as «constantes solicitações» de concessões para pesquisas, inclusive de uma empresa chinesa, que atribui ao aumento da procura de novas reservas, derivada da subida dos custos do crude no mercado internacional.
A Petroguin está a negociar com quatro empresas novos acordos de prospecção de petróleo em blocos situados em zonas profundas do litoral guineense. Uma dessas empresas é a australiana Hardman e a francesa Pilatus, do ex-responsável da Elf, Loic Prigeant, que se deslocou duas vezes a Bissau.
A Pilatus estaria na disposição de realizar sondagens no onnshore, o que só tinha sucedido na época colonial, quando a americana Esso obteve permissão para tal das autoridades portuguesas.
Actualmente, apenas um consórcio, constituído pela inglesa Premier Oil e pela americana Occidental, levam a cabo prospecções em três blocos, depois de terem desistido de sondagens outros dois blocos em águas profundas.
A polémica sobre a existência ou não de petróleo na Guiné-Bissau não é de hoje. Ela foi relançada agora, depois da visita ao Brasil do ministro dos Recursos Naturais guineense, Aristides Ocante Silva, que anunciou a conclusão de um memorando de entendimento com Brasília, prevendo o apoio na prospecção mineira, incluindo a exploração de petróleo.
A comunicação social deu grande destaque ao assunto, a tal ponto que o governante teve que vir a público desmentir que tenha evocado a existência de petróleo. Mas a Guiné-Bissau de facto espera integrar o clube de exportadores de petróleo. Com efeito, no início de Julho último, o Senegal anunciou que ia solicitar à Venezuela apoio tecnológico para a extracção de petróleo no litoral sul do seu território, que faz fronteira com a Guiné-Bissau.
Depois de vários anos de litígio sobre o traçado da fronteira marítima comum, o Senegal e a Guiné-Bissau chegaram a um acordo em meados dos anos 90, e instituíram uma Agência de Gestão e Cooperação de uma zona marítima conjunta, sob a alçada directa dos respectivos chefes de Estado.
Em caso de existência de hidrocarbonetos nessa zona conjunta, o acordo prevê a sua partilha, sendo 80% dos lucros para o Senegal, e apenas 20% para a Guiné-Bissau