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"O combate à corrupção é vital para a nossa democracia"

Para o Presidente da República, “a transparência da vida pública deve começar precisamente onde o poder do Estado se encontra mais próximo dos cidadãos”. Nas autarquias, claro.

A luta contra a corrupção foi o tema central do discurso evocativo do 5 de Outubro, proferido esta manhã, em Lisboa, pelo Presidente da República. Ao escolher este tema, Cavaco Silva surpreendeu, mas foi bem recebido por diversos sectores da sociedade.

Rompendo com a tradição, Cavaco leu o seu discurso do lado de fora dos Paços do Concelho. Os seus antecessores discursavam no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa.

Para o vereador e deputado socialista Manuel Maria Carrilho, “foi um bom discurso. O combate à corrupção é vital para a nossa democracia, e não foi certamente por acaso que o Sr. Presidente da República escolheu este dia e este local”.

Na cerimónia de comemoração dos 96 anos da proclamação da República  – realizada na Praça do Município, em Lisboa – Cavaco Silva esteve ladeado pelo presidente da autarquia, Carmona Rodrigues, na qualidade de anfitrião, e pelo primeiro-ministro, José Sócrates. A ocasião  não podia ser mais propícia para o PR chamar a atenção para “as especiais responsabilidades dos autarcas” e do poder central nessa batalha contra a corrupção, defendendo que este é um fenómeno “contra o qual todos devem lutar para garantir a manutenção da democracia.

Na sua intervenção, Cavaco Silva disse que a corrupção “tem um potencial corrosivo para a qualidade da democracia, que não pode ser menosprezado”, pelo que defende ser necessário inverter a tendência dos portugueses para se alhearem da vida pública. “Para este esforço colectivo deve também ser convocado o poder Judicial – pilar fundamental do Estado de Direito. Por outro lado, a influência que a comunicação social adquiriu, implica que os seus profissionais participem igualmente neste esforço de renovação da ética republicana”.

Cavaco Silva afirmou que “é tempo de nos tornarmos mais exigentes perante a democracia que temos. É tempo de nos preocuparmos com a qualidade da nossa democracia”.  E fez votos para que, dentro de quatro anos, quando será comemorado o primeiro centenário da República portuguesa, “os portugueses estejam a viver numa democracia melhor”.

Para o deputado socialista e ex-ministro das Obras Públicas, João Cravinho – que apresentou recentemente no Parlamento três projectos de lei para prevenir e combater a corrupção, ainda não agendados pelo PS – tratou-se de “um grande estímulo, dadas as competências, atribuições e responsabilidades do Presidente da República”.